Thursday, January 17, 2013

Guia Prático sobre "Como Não Avaliar uma Candidatura Científica"

O Fidalgo gosta de cumprir com o prometido e, depois de ontem ter discorrido sobre as generalidades dos concursos de atribuição de Bolsas Individuais de Doutoramento e Pós-Doutoramento da FCT, hoje é chegado o momento de se olhar para um caso concreto! O caso do Fidalgo, claro está.

O Fidalgo concorreu duas vezes a Bolsas Individuais da FCT uma 2009 e uma em 2012 com uma taxa de sucesso de 50%. Em 2009 veio o Sim e em 2012 veio o Não. E esse facto sozinho poderá levar o leitor a duvidar dos motivos de o Fidalgo criticar agora a FCT e não em 2009. A verdade é que o jogo em 2010 e 2011 tornou-se ainda mais vicioso do que o era em 2009; e o que o Fidalgo critica são os modos de avaliar por comparação!

Em 2009 tinha terminado a minha Licenciatura (com Bacharelato, que ainda sou pré-Bolonha) em Comunicação Social. Em 2009 não tinha artigos científicos; tinha apenas uma participação passiva num evento científico em Bruxelas; não tinha curriculum científico de qualquer espécie e falava português, francês e inglês. Em 2009 foi-me atribuído no parâmetro "Mérito do Candidato": 3,5. Nada a acrescentar!

Em 2012 estava a terminar o Doutoramento, no momento em que lacrei a candidatura já tinha entregue a versão final da tese de Doutoramento e aguardava marcação de provas públicas; tinha 3 artigos publicados e 2 capítulos em dois livros; participara activamente em quase três dezenas de eventos científicos nacionais e internacionais; tinha quase quatro anos de trabalho com várias instituições científicas e juntara às línguas de partida o espanhol, o russo e o árabe. Em 2012 no parâmetro "Mérito do Candidato" tive: 3,5! Curioso...

Em 2009 concorri à Bolsa em causa lacrando como "Instituição de Acolhimento" o Instituto do Oriente. A nota, como eu sabia, foi de 4,5! Em 2012 escolhi duas Instituições de Acolhimento o Instituto do Oriente (4,5) e o Centro de Administração e Políticas Públicas (5)... Diria a lógica que teria um 4,75? Mas tive somente 4,05... Curiosamente o meu Orientador também foi avaliado e a nota dele de 3,75 (quem conhece o caso sabe que esta avaliação do meu Orientador é tudo menos honesta!) baixou a nota global para 4,05.

Em 2009 o programa de trabalhos de alguém vindo de Comunicação Social conseguiu arrancar 4,5... Em 2012 o programa de trabalhos de alguém com o intento de prosseguir com os estudos da tese ficou-se somente pelos 4 valores... Apesar de se dizer: "Tema interessante e inovador na abordagem, cruzando o campo das RI com a Antropologia. Estado da Arte Adequado e Bibliografia actualizada e definição correcta dos objectivos de investigação". E mesmo assim só consegui um "4"?

O que o Fidalgo acha extraordinário é o modo displicente como as avaliações parecem ter decorrido. Se os recursos eram escassos e certas áreas menos interessantes de financiar, então uma FCT honesta deveria assumir as suas limitações e não fingir que está tudo normal acalentando sonhos que depois se electrocutam, como as moscas nos "candeeiros-armadilha" dos cafés.

E haverá mais, muito mais, a dizer sobre o tema... É esperar para ver...


Wednesday, January 16, 2013

Falhanço Completo Total... E será o país a pagá-lo...

É a primeira vez que o Fidalgo escreve um post na sequência de algo publicado em outro blog, mas o repto deixado por Samuel Paiva Pires no Estado Sentido tem que ser imperiosamente respondido. Até porque Samuel tem a coragem de dar o primeiro passo e este post do Fidalgo não é mais do que o reconhecimento e a consequência dessa coragem.

É conhecido de todos que no país de Camões, de Eça de Queiroz, de Fernando Pessoa e de António Lobo Antunes a D. Cunha é a verdadeira regente de muitos concursos públicos. A Menina Meritocracia fica relegada aos discursos rococós de alguns agentes políticos e dos dirigentes dessas instituições que fazem vénia à D. Cunha.

A FCT, Fundação para a Ciência e Tecnologia, não é infelizmente excepção a esse facto. O último concurso de atribuição de Bolsas Individuais de Doutoramento e Pós-Doutoramento é, de resto, prova disso mesmo. O concurso começa mal logo no seu nascimento e, diz o povo sabedor, que "o que nasce torto tarde ou nunca se endireita".

O concurso que utiliza dinheiros públicos é envolto numa aura de secretismo digna de uma série televisiva norte-americana. O público em geral não sabe quais os temas a concurso, quais os projectos que entram em contenda científica pelos escassos recursos financeiros. O público em geral não sabe nada e mesmo os candidatos limitam-se a saber do projecto que enviam e, com sorte, dos projectos enviados por colegas.

Ora se imperasse a Meritocracia para que seria preciso tanto mistério? Porque não se assume que o processo é tudo menos transparente? Porque não se estabelecem áreas para as quais nunca, ou dificilmente, existirá financiamento? Ou achará quem gere a FCT que os candidatos não têm capacidade de se interrogar sobre o modo como o processo é conduzido? Se acham isso, pois o Fidalgo vos diz que estais enganados Senhores!

O concurso tem ainda uma dualidade curiosa: aos candidatos, e bem, são exigidos prazos que quando não cumpridos comportam automaticamente a eliminação da candidatura. Já aos promotores do concurso, a FCT claro está, prazos é coisa que não se impõe.

Só para se ter uma noção a Audiência Prévia para contrapor os resultados vergonhosos do concurso de 2012 começou em meados de Outubro (os candidatos tiveram 15 dias para lacrar um comentário on-line, guardado, uma vez mais, no segredo dos gabinetes) e a meados de Janeiro ainda se espera uma resposta da FCT.

O concurso de 2012, na área de Ciência Política, consegue o facto extraordinário de conseguir deixar de fora todas as candidaturas apresentadas pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (vulgo ISCSP) e a maioria das enviadas por candidatos em Coimbra. E atribui, o mesmo concurso, uma verdadeira batelada de "sins" aos candidatos da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (vulgo FCSH) da Universidade Nova de Lisboa.

Sendo obviamente coincidência o facto de Miguel Seabra, Presidente da FCT, ter vindo da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa. O processo de atribuição destas bolsas, que na verdade se deveriam chamar contractos pelo articulado legal que comportam, é também estranho no modo como os júris argumentam e avaliam os candidatos... E o Fidalgo sabe bem o valor dessa estranheza...

E por aqui se fica o Fidalgo hoje... Mas amanhã volto ao assunto, com um guia de "como-não-saber-avaliar-candidaturas"...


Monday, January 14, 2013

A perguntas de Economia, eu respondo com Eduquês!

Nas primeiras semanas do ano 2013 o Fidalgo teve que se remeter ao silêncio, para poder preparar com tranquilidade as suas provas públicas de Doutoramento. Com as provas realizadas, com bastante sucesso, o Fidalgo volta à blog-o-esfera com toda a força... Volta num momento em que a confusão está instalada nos mais altos escalões do poder político nacional. O Fidalgo explica-se!

Na sexta-feira passada o Ministro da Economia e do Emprego foi até ao Parlamento, para mais um plenário com os Parlamentares do Estado (que Nação é outra coisa, e perpetuar confusões tem pouco de benéfico). Álvaro Santos mostrou, uma vez mais, que não é um "animal político" (como os analistas gostam de dizer), o que por si só não teria de ser mau... Se Álvaro Santos fosse um não-político-mas-bom-Ministro teria a solidariedade do Fidalgo, mas nem uma coisa, nem outra!

O problema é que Álvaro Santos é somente Ministro da Economia e do Emprego, e não Ministro da Economia, Educação e Emprego. Confuso, o leitor? O Fidalgo já explica. No último debate parlamentar achei por demais curioso que a cada pergunta sobre empregabilidade e sobre reconstrução do tecido económico, o Sr. Ministro tivesse (sempre) como grande trunfo o Sistema Dual de Ensino.

Para além de mencionar uma série de pacotes legais de impacto real diminuto, como quem tenta fazer cócegas num gigante usando as patas de uma pulga, o Ministro da Economia e do Emprego escudou-se nas políticas de Educação para tentar mostrar resultados, quando resultados é tudo o que não tem acontecido... Pelo menos os resultados que tanto se almeja e apregoa!

O Ministro da Economia e do Emprego pisca o olho para a Educação para se escudar da incapacidade de inovar; de criar; de surpreender. E o Fidalgo sabe que um Plano de (Re-)Industrialização de Portugal está na calha, mas as esperanças no mesmo são já diminutas olhando para tudo o que não foi feito, com quase meio-mandato já expirado.

O Ministro da Economia e do Emprego tem razão, e o Fidalgo reconhece, que o Sistema Dual de Ensino apenas funcionará em pleno com um entrosamento profundo entre os dois Ministérios (a saber, Ministério da Educação e Ministério da Economia e do Emprego)... Mas entrosamento e fusão são conceitos diferentes, que o Ministro da Economia e do Emprego parece não compreender. Para perguntas sobre Economia responder com resultados (se os houver) de programas Económicos é o que se pede...

A confusão dos Cargos e de Funções não é exclusiva de Álvaro Santos, num país onde o Presidente da República não quer Presidir, e onde os Juízes do Constitucional (que deveriam julgar) são chamados a Decidir. Num país que tem uma coligação que tem pouca Ligação entre si e onde um pedido de assistência financeira se tornou numa ratoeira de meias-verdades e meios-sentidos...

E por tudo isto o Fidalgo volta, e volta atento!