Wednesday, December 26, 2012

O Conselho que (afinal) é uma Agência...

Foi anunciada com a devida pompa a criação do Conselho da Diáspora Portuguesa. O projecto partiu de uma ideia avançada por Cavaco Silva, confesso o meu espanto, mas uma leitura mais atenta dos objectivos do Conselho fazem cair por terra as ilusões oníricas iniciais.

O Conselho da Diáspora Portuguesa, tem em crer o Fidalgo, deveria funcionar como um elo de ligação entre Portugal e os Portugueses que escolheram outros países como local de trabalho e/ou residência permanente. O Conselho da Diáspora Portuguesa deveria funcionar como uma ponte entre o solo lusitano e a lusa gente espalhada por outros solos...

O Conselho da Diáspora Portuguesa, argumenta o Fidalgo, deveria ser uma espécie de galeria de talentos nacionais desenvolvidos no espaço internacional, permitindo, em tempos de (prometida!) prosperidade vindoura, a captação desses mesmos talentos de volta a Portugal. A Conselho da Diáspora Portuguesa seria uma incubadora de méritos e um catalisador de ligações socioemocionais para com o país que ficou para trás...

Mas o Conselho da Diáspora Portuguesa tem pouco, ou mesmo nada, de tudo isto... O Conselho da Diáspora Portuguesa, pelo menos como foi apresentado, é antes uma Agência de Publicidade e Lobbying Portuguesa que se quer fazer valer dos que alcançaram sucesso lá fora, para projectar Portugal lá fora. O Conselho da Diáspora Portuguesa almeja capitalizar uma mensagem de um país dinâmico e moderno, usando para isso os que estão lá fora???

Mas então não é esse o papel do Ministério dos Negócios Estrangeiros, por exemplo, através do trabalho da Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas? Não é esse, de resto, o papel do Presidente da República? Ou até dessa função de Estado o Sr. Cavaco Silva se quer demitir passando a um, muito funcional, vazio de funções reais e substanciais?

O Conselho da Diáspora Portuguesa quer promover Portugal através dos que não vivem em Portugal? Portanto voltamos ao mesmo discurso, meio-parolo meio-idiota, de achar que quem vai para fora se torna, como que por magia, extraordinário. Continuamos a insistir na ideia que o mérito nasce espontaneamente, isto é cogumeliza-se, apenas e só por uma pessoa decidir migrar!

E não se entenda aqui qualquer tipo de preconceito para com o migrante luso. O Fidalgo não só conhece imensa gente migrada de imenso valor, como pensa juntar-se aos estão "por fora", mas estas lógicas de achar que o que está fora é que serve para fazer lobbying e promover o país parecem-me distorcidas... Quem está dentro pode ter o mesmo, ou mesmo mais impacto "lá fora", desde que lhe sejam dadas oportunidades para tal! É assim tão complicado perceber isto?

O Conselho da Diáspora Portuguesa recupera, de resto, a dinâmica que levou à escolha do Ministro da Economia, até então um académico no Canadá... O Conselho da Diáspora Portuguesa não quer servir a Diáspora Portuguesa, que entrou numa fase nova e diferente da ocorrida nas décadas de 1960-1980, mas quer antes servir-se dessa mesma Diáspora. Não se provê algo, sorve-se alguém...

Quer que as tais Oportunidades causadas pelo Desemprego, segundo palavras proféticas do Ministro com a Licenciatura mais rápida do Espaço de Bolonha, sejam capitalizadas pelo mesmo país que não soube capitalizar os méritos de uma geração que não escolhe ir para fora, mas que é antes empurrada, se não mesmo pontapeada, a ir para outros portos... Resumindo: O Conselho da Diáspora Portuguesa é bonito em nome, mas feio em intenções e forma!

E o Fidalgo por aqui se fica (com o comentário), enquanto se prepara para ir (para outras paragens)...


Wednesday, December 19, 2012

2012, o Anno Mutus de Cavaco Silva

Com o aproximar do final do ano começam a surgir por todo o lado, verdadeiros cogumelos selvagens, revistas do ano; onde se sintetizam os eventos do ano que finda (muitas das vezes assumindo-se que os dias em falta pouco podem acrescentar, aos dias já vividos no ano em revisto). É e não é isso que o Fidalgo almeja fazer hoje.

Cavaco Silva elevou ao extremo a máxima de "O Silêncio é de Ouro". Aliás, em certa medida, o Presidente da República chamou a si o direito de ser considerado o herdeiro do Rei Midas, já que o seu silêncio tem tanto de inconveniente como o toque dourado do monarca helénico. Cavaco Silva habituou todos a uma não-presença nos momentos importantes, fazendo soar na cabeça de muita gente a questão: se é para isto para que temos um Presidente da República?

Nem sequer me atrevo a dar resposta, pelo natural enviesamento que o Fidalgo sofre por ser adepto da Coroa (e não, Monarquia não é sinónimo de Ditadura!). Cavaco Silva conseguiu esvaziar o poder do Presidente da República tornando-se numa figura obsoleta, cuja utilidade fica por desvelar em 2013.

O Presidente da República, segunda consta no 134º artigo da Constituição vigente, tem um importante poder de regulador em momentos de Emergência. E quer parecer ao Fidalgo que Emergência é a palavra que melhor define o que temos vivido em 2010-2012; de resto o Primeiro-Ministro (Passos Coelho) e o Ministro dos Negócios Estrangeiros (Paulo Portas) usam amplamente a expressão para definir o actual momento sociopolítico.

O Presidente da República não só não fala, o que por si já é tristemente revelador, quando ao falar leva-nos a pensar nos méritos (dourados, claro está) dos seus prolongados silêncios... A última dessas alturas ocorreu no final de Novembro de 2012, quando na entrega dos Prémios Gazeta o Presidente tentou ironizar com os seus próprios silêncios...

A tentativa de realizar um exercício de Ironia saudou-se num momento confrangedor de puro sofrimento, para aqueles que dominam o universo das palavras... A tentativa mostrou que não só os silêncios do Presidente são maus, como os seus não-silêncios são ainda piores. E o dilema reforça-se: para que precisamos deste Presidente da República?

E a cereja em cima do bolo chegou ontem quando o Fidalgo ouviu a mensagem de Boas Festas do casal Presidencial. Além do amadorismo em torno da produção, onde não se consegue disfarçar o desconforto provinciano do casal para com os media, o Presidente da República achou por bem terminar o vídeo dizendo: "E um 2013 tão bom quanto possível"!

Podia ter sido pior... Não se ter lembrado de "E em 2013 seja o que Deus quiser!" foi uma sorte. Mas num momento delicado como cristal, como aquele que vivemos, pedia-se ao Chefe de Estado que fosse capaz de mobilizar (já que galvanizar parece-me palavra fora do vocabulário deste Presidente!) e de unir a população. Urgia uma palavra de reconhecimento e de esperança; urgia um momento de compreensão e de alento... Urgia tudo o que não fosse um "e o que for que seja!" Porque para isso não precisamos de um Presidente da República...

Resta ver se em 2013 o Presidente ressuscita da sua letargia, qual Lázaro bíblico, ou se irá definhar ainda mais feito manjerico requeimado pelo sol... O Fidalgo retira-se, por agora!


Tuesday, December 18, 2012

Manual da Greve para Totós

O Fidalgo foi apanhado de surpresa, esta manhã, por mais uma das habituais paralisações parciais da CP. Os sindicatos (verdadeiros profissionais da greve) voltaram a convocar uma paralisação que tem pouco de nova, de impactante e de relevante... Exceptuando, obviamente, a irritação e frustração geral que o sucessão incrível deste tipo de eventos na CP causa nos utilizadores dos serviços da CP.

Mas a Greve, Senhores dos Sindicatos, não é nada daquilo que têm feito! O real sentido da greve está muito longe das acções, meio patetas e meio ocas, que têm feito ao longo do ano... Adoraria que se fizesse uma contagem dos dias de serviço "menos normal" que a CP teve em 2012. Mas vamos lá então explicar o modus operandis e o sentido da greve.

A greve tem um único objectivo: dotar os trabalhadores de um trunfo negocial aquando de uma ronda de conversações com os patrões. Esse trunfo advém, nos primórdios da greve, do facto de esta ser uma Raridade e por isso causar um real impacto. A Raridade destes fenómenos levava os patrões a uma incapacidade de resposta adequada, assumindo que os meios de produção estão, de facto, do lado de quem produz e por isso ouvir, quem produz, é uma necessidade de quem ordena.

A greve pode ainda funcionar, quando não pelo factor Raridade, pelo factor Impacto! Uma greve bem feita tem qualquer coisa de grandioso, quase como uma produção da Broadway. Uma greve, feita à séria, tem que ser algo de magnânimo que realmente paralisa o serviço em causa e que, paralelamente, leva os utilizadores a questionarem-se sobre o motivo da greve e, se tudo correr bem, a darem o seu apoio aos grevistas. É isto! Nada mais simples...

Ora as greves, se é que lhe devemos chamar isto, dos Sindicatos da CP (gente profissionalizada em grevizar o trabalho) não têm Raridade nem Impacto e, curiosamente, têm levado a que uma parte muito significativa dos utilizadores da CP esteja contra os grevistas... Isto porque os grevistas mais parece que brincam aos feriados, do que fazem greves sérias e condignas...

As greves da CP levam a um afastamento dos utilizadores, naquele que é o único país da União Europeia que viu uma redução drástica dos utilizadores de transportes ferroviários (a tendência dos países da Civilidade Europeia foi para o incremento ou manutenção do número de utilizadores).

As greves da CP criam apenas um problema: desconfiança do utilizador para com o promotor do serviço, que sem utilizadores terá (a curto-prazo) que pensar em dispensar trabalhadores. Os mesmos trabalhadores que agora se entretêm a brincar aos grevistas... Os mesmos trabalhadores que, não raras vezes, ficam sem resposta perante a pergunta "Qual o motivo desta greve"! Ou isso, ou respondem com o chavão "Porque Eles tiram tudo"...

As greves da CP obrigarão a empresa, em breve trecho, a ter que rever o seu slogan de "Conte Connosco" para um "Conte [às vezes] Connosco", porque é impossível contar com um serviço que falha mais do que cumpre. Na mesma senda o slogan "Próxima paragem: Mudar a sua vida" deveria ser actualizado para um "Próxima Paragem: Greve (e se der Mudaremos a sua vida)".

As greves da CP, que de Greve pouco têm, mostram que não é apenas o Governo, os tais Eles, que não sabe negociar... Porque impor condições que, se não cumpridas, se traduzem num sequência insana de grevinhas e grevetas mal organizadas tem pouco de diplomático e nada de negocial... E tenho dito! O vosso querido, e pouco grevista, Fidalgo!


Thursday, December 13, 2012

O estranho caso da República Checa...

Aconteceu ontem, enquanto o Fidalgo lia Nabokov e comia Toblerone, a Reunião dos Ministros de Finanças dos 27 países da União Europeia. No final da reunião anunciou-se com pompa que as Ministeriais Inteligências chegaram a um Acordo que permitirá dar ao Banco Central Europeu poderes directos de supervisão sobre cerca de 200 bancos e poderes, invocáveis, sobre os restantes (quase) sete milhares de bancos de média e pequena dimensão.

O Acordo, que levou 14 horas a ser finalizado, representa uma vitória da Máquina Imperial Alemã e uma confirmação do esvaziamento do poder real de Paris frente a Berlim! O Acordo, curiosamente, não conduziu a um consenso generalizado dos 27, em breve 28, Estados da União. O Reino Unido e a Dinamarca fizeram-se valer dos seus mecanismos de opt-outs e a Suécia e a República Checa assinalaram o seu desinteresse no projecto em causa.

O resultado da reunião, que para quem vai lendo e estando atento, tem pouco de surpreendente, chamou contudo a atenção do Fidalgo para a postura da República Checa nos últimos anos. Em 2009 a República Checa recusou-se a assinar o Tratado de Lisboa até lhe terem sido feitas concessões, próximas do mecanismo de opt-out, que apaziguaram os seus governantes.

Em 2011 a República Checa ameaçou bloquear o CETA (Acordo de Comércio entre a União Europeia e o Canadá), caso uma série de prerrogativas diplomáticas, ligadas aos vistos, não fossem tidas em consideração. A Europa que agoniza em manter a União voltou a aceder aos pedidos de Praga. No início do ano o Acordo de reforço à Disciplina Fiscal contou, outra vez, com os Nãos da República Checa e do comparsa Reino Unido.

Confesso que me faz alguma estranheza o Eurocepticismo militante. Ter uma perspectiva divergente dos Eurocrentes e dos Servos da Merkel (nova forma de Servidão, após a extinção dos Servos da gleba) pode ser salutar; mas ter uma perspectiva continuamente divergente, divisionista e bloqueadora parece-me um contra-senso, tendo em conta que a adesão à Europa da União é um acto de liberdade.

É o mesmo que querer entrar para um Clube de Golfe, com regras de adesão algo apertadas, e após ser admitido no mesmo dizer que seria mais interessante se jogassem antes Xadrez. Não se descarta o valor do Xadrez, mas a inscrição e adesão foi feita com a consciência de que naquele Clube se joga Golfe. Ora a República Checa, e mesmo o Reino Unido, precisam decidir-se se querem mesmo estar no Clube de Golfe como membros de pleno direito, ou se são Golden Visitors.

Para completar o ramalhete do posicionamento, muito curioso, de Praga na cena internacional é necessário mencionar ainda que a República Checa foi o único país do espaço Europeu a votar contra a elevação da Palestina para o estatuto de Estado Observador Não-Membro. Paixão assolapada por Washington? Ou necessidade de se diferenciar dos congéneres vizinhos nos Balcãs? Seja o que for tudo isto é curioso, muito curioso...


Friday, December 07, 2012

É exactamente assim que não se faz Sr. Barroso!

O final da semana trouxe vários pequenos acontecimentos, muitos dos quais centrados mais no dicere do que no facere. Nos últimos tempos o Fidalgo tem feito algumas apresentações/comunicações/exposições sobre a temática do despertar de vários nacionalismos no espaço Europeu, que transcende a União Europeia em geografia e em dimensão civilizacional, e por isso escrever sobre notícias com e/ou da Escócia é uma boa forma de fechar a semana.

A Câmara dos Lordes do Parlamento Britânico pediu um parecer às Instituições Europeias sobre quais as consequências para a Escócia caso o referendo se realizasse, a ocorrência do mesmo ainda não passa de uma probabilidade, e caso o "Sim", queremos ser independentes, vença! A União Europeia, na voz de Durão Barroso, diz que a Escócia fica de fora da União Europeia se esta se independentizar.

A resposta, na verdade, tem tão pouco de sagaz como de nova. Durão Barroso já dissera antes aos Catalães que uma transformação da região em Estado Soberano, levaria a uma expulsão do (entretanto formado) novo Estado da União Europeia. Uma Catalunha independente teria que negociar a sua admissão na União Europeia e, de igual modo, uma Escócia independente terá que sair para voltar a entrar.

Isto claro assumindo que a Escócia, e já agora a Catalunha, no momento após a sua independência e constituição enquanto Estado soberano quererá voltar para a União Europeia. Barroso tem, por vezes, em demasiada conta o poder de atractividade da União Europeia. Mas e se "expulsar compulsivamente" a Escócia e a Catalunha não for uma punição mas um prémio? Nesse cenário de que valem estas ameaças (seguramente) vazias?

A União Europeia não gosta de Estado pequenos, isso é notório, e muito menos acha engraçado o cenário de uma pulverização de autonomias e soberanias no seu espaço sociopolítico. Mas a realidade parece empenhada em querer contrariar os "gostos" dos líderes da União. A União Europeia mostra, igualmente, uma notória (e indesculpável) impreparação para lidar com este tipo de fenómenos nacionalistas.

Um dos elementos centrais na construção de espaços nacionais com potencial política é a percepção de ameaças. Ora somar à ameaça óbvia, representada pela Austeridade insana, uma ameaça clara, de uma União Europeia pouco dialogante e nada diplomática, é dar lastro a que estes projectos nacionais ganhem consistência e se cristalizem mais rapidamente. Durão Barroso quer dissuadir pelo medo, mas pelo medo está apenas a fomentar (e a fermentar!) o bolo dos nacionalismos!

O único lado positivo, em tudo isto, é ver como Durão Barroso é consistente nas suas palavras. O único lado positivo é ver como mantém as suas ideias, apesar de ser sinal de inteligência  a capacidade de se assumir erros e a capacidade de adaptação perante o que está incorrecto. O único lado positivo é perceber que Durão Barroso não se perde nas suas entrevistas, ao contrário do pobre Jean-Claude Juncker (Presidente do Eurogrupo) a quem o barulho vai baralhando as ideias...


Thursday, December 06, 2012

Semantica revolucionária

Por estes dias, em que muito tem acontecido, o Fidalgo andou pelo Centro Ismaili de Lisboa (espaço que tem um charme muito próprio) por causa do Fórum Lisboa 2012. O tema da edição deste ano podia traduzir-se "A Estação/Época Árabe - Das Mudanças aos Desafios, Dois Anos Depois"! E logo aqui começaram os problemas do conflito (eterno!) entre o que se diz e o que se quer dizer.

Mais do que um dos oradores convidados fizeram questão de sublinhar que a Estação/Época Árabe (antiga Primavera Árabe) está ainda em curso em todos os países por ela afectados, sendo precipitado se não mesmo incorrecto usar o vocábulo Depois (after, na versão anglófona). Mesmo na Tunísia, que começou o movimento de transformações políticas, não se reclama estar-se já numa fase pós-transicional.

Para Paulo Portas, Ministro dos Negócios Estrangeiros, que discursou no primeiro dia a mudança de Primavera Árabe para Estação/Época Árabe é muito fortuita. A ideia não é, de resto, nova! O Fidalgo ouvira o Sr. Ministro dizer o mesmo no encerramento do 16º Seminário da Juventude Portuguesa do Atlântico. O problema para nós, lusa gente, será a tradução da palavra em causa, uma vez que Season (ou no original francês Saison) pode traduzir-se como Estação, Época, Temporada ou Período.

Sem resolver o problema da Estação/Época/Temporada (não gosto muito do termo Período!) Árabe saltamos para a questão seguinte. Onde ocorreram as tão mediáticas Transições? Tunísia? Egipto? Líbia? Iémen? Síria? Jordânia? Marrocos? Bahrein? Argélia? Para espanto do Fidalgo as transições ocorreram em poucos destes países na verdade. Eu explico!

Para Lahbib Choubani, Ministro para as Relações com a Sociedade Civil e com o Parlamento (curiosa nomenclatura), em Marrocos não se assistiu a uma Transição mas antes a uma Evolução gradual, no quadro das instituições e com o papel muito activo de SAR Mohammed VI. Aliás os vários delegados vindos de Marrocos elogiaram, quase em uníssono, o papel de Sua Majestade na Evolução de um país que assim rejeita ter entrado na Parada da Transições Árabes.

Para SAR Rym Ali e para Kariman Mango, vindas da Jordânia, o reino não passou por qualquer Transição mas antes por uma fase de Transformação. E no mesmo sentido os representantes da Argélia falam em Adaptação e não em Transição. E, de uma assentada, a lista de Transições que parecia tão vibrante é encurtada em 1/3.

Magda Eltouny (Liga Árabe), Touhami Abdouli (Tunísia) e Bothaina Kamel (Egípto) concordam que no Egipto se pode falar de Transição. A Tunísia não tem, de resto, tentado monopolizar o vocábulo, mas faz questão de lembrar que tudo começa por aqueles lados. No Egipto falam em transição tri-faseada: 1.) derrubar o Presidente Mubarak; 2.) afastar o Conselho Militar; 3.) depor o Presidente Mursi.

Do Bahrain e do Íemen pouco se falou, nem sequer representantes tinham. Da Síria nem uma palavra, nem um qualificativozinho, para aquela que é uma Guerra Civil, com culpas nos dois lados da trincheira. E, para meu espanto, como que para substituir o Bahrain e o Íemen estava presente um representante da Palestina (que recentemente fez upgrade ao seu status internacional) que veio agradecer o voto de Portugal... Num Fórum sem representantes de Israel...

No meio de todas as discussões sobre que palavra usar para qualificar o momento em causa perdeu-se uma boa oportunidade, com muita gente de Alto Nível, para compreender a fundo o que está acontecer no espaço Árabe; para compreender sucessos e aceitar derrotas; para compreender processos, dinâmicas e métodos. Perdeu-se substância para a linguística... Que não sendo irrelevante, não releva a real dimensão da questão em análise.

Assim se percebe o tempo que as decisões demoram a tomar, quando dois dias servem para discutir como discutir a questão. Quando o produto de um Fórum que reuniu tanta gente interessante foi um não-produto. Quando o máximo que se conseguiu alcançar foi no domínio Nominal... Pois no domínio Substancial de nada, ou quase nada, serviu o Fórum...