Monday, March 31, 2014

Pois é Eliseu, um cidadão enganado, é um eleitor revoltado...

Tocaram as sirenes pelo Eliseu! As eleições municipais em França pulverizaram o Partido Socialista de Hollande que, sem ter celebrado dois anos de chegada ao poder, soma já a pior derrota eleitoral do PS Francês em muitos anos. O Eliseu não foi por isso de meias medidas prometeu uma baixa de impostos até 2017 e fez cair o governo de Jean-Marc Aryault.

A escolha do sucessor, Manuel Valls, demonstra um interessante sentido de humor político do Presidente da República França: numas eleições marcadas pela súbida impressionante da Frente Nacional (Extrema-Direita), o Eliseu confia num naturalizado (Valls nasceu em Barcelona, naturalizando-se com vinte anos) para constituir um "governo de combate" que tire a França do marasmo económico...

Curiosamente, não é de Arayault (Primeiro-Ministro exonerado) a culpa maior do resultado eleitoral arrasador, mas de Hollande. Ora vejamos! Antes de chegar ao Eliseu, Hollande prometeu combater a austeridade-tecnocrática e prometeu fugir ao caminho dos cortes, cortes, cortes que se aplicam em Atenas, Madrid, Roma, Lisboa, Dublin.

Prometeu mas não cumpriu. Após a eleições e abraços com uma França a caminho da ruptura financeira e sob ameaça de corte de ratings (essa arma de destruição massiva, nas mãos das três agências que sediadas em Nova Iorque continuam a fazer joguinhos políticos e não avaliação séria de riscos), Hollande foi obrigado a reformular e a dar o dito por não dito. Os cidadãos não gostaram; os eleitores vingaram-se!

Hollande prometeu assumir-se como contraponto ao excessivo poderio de Berlim; assumindo-se tacitamente como um Cavaleiro dos que se recusam a uma vassalagem cega à auto-nomeada Imperatriz da União. E também aqui falhou, tendo-se de resto apagado muito no panorama internacional. É muito claro que a França com Hollande é menos poderosa, do que a França de Sarkozy!

A França de Sarkozy foi um elemento central no apaziguamento da Guerra Russo-Georgiana de Agosto de 2008. Sarkozy colocou Paris no mapa político, não apenas por receber as negociações em Paris mas pela sua proactividade política. Berlim e Bruxelas pouco apareceram numa foto, em que Moscovo-Tbilisi-Washington-Paris foram as estrelas maiores.

A França de Hollande pouco mais fez, durante a crise Russo-Ucraniana, do que ser anfitriã das negociações para a paz. Hollande pouco se viu e pouco se ouvir, para além do protocolar e diplomaticamente estabelecido. Paris passou de palco e actor da política internacional; a albergue dos grandes líderes, numa fota em que Moscovo-Washington-Berlim foram as grandes estrelas com Bruxelas-Paris-Kiev-Nova Iorque (ONU) a fazerem fraca figura.

Hollande não só descumpriu com a palavra, como revelou uma preocupante falta de carisma junto da população francesa. O Presidente de uma República (não tendo nunca o elán de um monarca) deve ser acarinhado pela população, ou pelo menos respeitado pela mesma. Hollande tem revelado níveis de popularidade extraordinariamente baixos, que dizem muito da sua fraca performance presidencial.

A somar a um Hollande que talvez não tenha sido talhado para o cargo, adicionou-se uma direita (a UMP) inteligente, que soube colher os frutos de ser Oposição. Discursos inteligíveis, com propostas concretas, com algum rojo e a apontarem constantemente o dedo contra o Eliseu galvanizaram o eleitor a dar uma nova oportunidade ao partido, onde Sarkozy já foi (e se perfila para voltar a ser) suserano!

E depois a Frente Nacional! O arrepio dado pela Frente Nacional não surpreende, mas assusta um pouco. A Frente Nacional, como eu já disse antes, soube "civilizar-se". Vestiu um belo fato de corte francês; envelopou o discurso em veludo e usou protagonistas com carisma, capazes de diluir tensão e de transformar horror em clamor. A Frente Nacional revelou-se muito estratégica nas suas escolhas e pode reforçar o seu capital político já em Maio.

A França pós-eleições municipais não voltou apenas à direita. Esta França deu um grande cartão vermelho a Hollande por ter prometido um mundo, que (muitos disseram) sabia que não poderia cumprir. A direita foi inteligente, a extrema-direita soube construir a sua táctica, mas a culpa é da demagogia do PS de Hollande e da incapacidade de se ser honesto, porque o populismo bacoco traz mais votos.

O problema é que os votos são como as estações. Vêm e vão... E um cidadão enganado é um eleitor revoltado. E um eleitor revoltado mais do que dar vitórias, proporciona derrotas. E das grandes! Agora é esperar para ver o que pode o Eliseu fazer, para evitar novo desaire em Maio. O Fidalgo aguarda!


Tuesday, March 25, 2014

Para onde vais Europa Unida?

Por estes dias, pela Turquia, debatemo-nos com a falta de liberdade (pelo menos formal!) em comunicar-nos por meio das redes sociais. É estranho acordar e sentir que aquilo que ontem era uma facilidade se torna, de súbito, uma impossibilidade. A palavra Liberdade, no ano em que Portugal celebra 40 anos da sua libertação do jugo da Ditadura, ganhou de repente um novo colorido. Afinal, aprecia-se melhor o que não se tem!

Mas se a Turquia está sem Liberbade plena no reino virtual, a Europa parece caminhar para uma ausência de Liberdades nos planos político e social. O avanço preocupante da Extrema-Direita em vários países é disso mesmo prova. E o último rúgido da besta, que também acordou antes da Segunda Guerra Mundial, foi dado em França com a Frente Nacional a registar a melhor votação de sempre.

Descontentamento com o governo PS, encabeçado pelo Sr. Hollande, terá conduzido ao resultado impressionante da Frente Nacional. Isso e uma Europa demasiado preocupada com números, com o alinhamento de tabelas de excel, com a frieza dos cálculos e pouco interessada no que devia interessar mais: nas pessoas. Uma Europa feita de Europeus, mas onde os Europeus pouco contam.

Este não é o primeiro sinal de que a Europa da União vive dias de desconforto. Na Búlgaria, por exemplo, os protestos contra o gabinete de Oresharski que começaram em Junho do ano passado ainda duram, com acções de rua, tomada de edifícios públicos e acções nem sempre pacíficos que mostram uma sociedade exaurida pelo formalismo democrático que, sem cultura, cedo se esgota numa parada de eleições efémeras que não apaziguam a turba.

Na Hungria, em 2011, Viktor Orban mudou a Constituição em vigor. O novo documento, entre outras coisas, passa a definir o que é uma Família (casal heterossexual unido pelo matrimónio), proíbe campanhas políticas na televisão e na rádio e dá às forças de segurança o poder de prenderem os sem-abrigo. É verdade que a Europa Unida até apontou o dedo a um dos seus mais novos membros, mas fez apenas isso. Apontou o dedo e depois assobiou-se para o lado.

Na Grécia a extrema-direita conseguiu 18 assentos no Parlamento e promessas de ir a votos nas próximas eleições. E apesar de a "Aurora Dourada" estar imersa numa série de escândalos políticos e processos judiciais as últimas sondagens mostram que, pelo menos, 8%-10% do eleitorado votaria na "Aurora Dourada". Um número preocupante que pode ser apenas a ponta do icebergue...

Na Áustria a extrema-direita tem aparecido em segundo lugar em todas as sondagens para o Parlamento Europeu e a mesma extrema-direita conseguiu resultados expressivos no último sufrágio nacional, de Setembro de 2013. Para uma Europa que parece gostar tanto de números; estes são números que deviam ocupar o tempo de muito boa gente... A questão em cima da mesa: O que se passa com a Europa?

Em tempos de instabilidade de falta de confiança nas respostas tradicionais, nos partidos de esquerda e de direita, as populações tendem a optar pelos extremos. E, curiosamente, a extrema-direita tem tido uma maior capacidade mobilizadora, após ter percebido que uma classe de políticos "elegantes e bem-falantes" que não perdem o temperamento, mas não cedem nos ideais, atrai mais gente, do que o habitual gang de skinheads... A extrema-direita adaptou-se!

Esta Europa Unida que se preocupa apenas com números, com o efeito orgásmico das políticas de austeridade nos tecnocratas de Bruxelas, parece perder-se... Afastar-se da sua mensagem de Democracia e de Inclusão. Esta Europa agora até corre a assinar acordos com governos ilegítimos, pejados de gente da extrema-direita. Esta Europa parece ter-se esquecido do seu próprio passado, que não aconteceu assim há tanto tempo.

É a esta Europa Unida que, tendo Twitter parece não ter o que mais importa, vejo repetirem-se erros; precipitarem-se más escolhas e deixarem-se arrastar para joguinhos de poder em que a Europa Unida nunca ganha. E se usássemos a racionalidade por uma vez que fosse?

Não acredito no Apocalipse Europeu, porque a História mostra-nos um continente resiliente. Mas seria tão melhor se pudessemos, por uma vez, evitar uma transformação pelo sangue... Porque a transformação virá, mas o como está nas nossas mãos Europeus! E por isso insisto: Para onde vais Europa?


Wednesday, March 19, 2014

Feliz Dia, Pai!

Foram poucos os Dias do Pai que passámos juntos, por vicissitudes da vida. Mas lembro-me que sempre que podias aparecias nas festinhas do infantário. Tenho até a ideia de te ver fardado em algumas dessas ocasiões. Eu sabia que o meu pai não vivia comigo, como acontecia com os meus amigos, mas também sabia que ele apareceria na festinha: magia!

Não foram muitos os Dias do Pai que passámos juntos, mas sempre tive um prazer especial em fazer presentes para marcar o dia. Como se enquanto fazia o presente (eu que sou de parco talento em actividades manuais!) tu estivesses ali comigo. Como se enquanto o presente ganhava corpo, eu pudesse ver aquele que eu não via diariamente. E lembro-me de sorrir sempre que te entregava os presentes.

Depois crescemos! E apesar de menos barreiras, foram maiores as dificuldades. É interessante como vivemos sempre tão perto uns dos outros, mas tornamos as nossas vidas num infinito de longitude. É curioso como a agenda nos domestica, em vez de sermos nós a comandar a agenda. E vão-se dando desculpas e os dias não se assinalam. O amor fica, nunca duvidei, mas não é regado! E, como qualquer planta, só regado o amor se pode tornar mais viçoso.

Ontem quando me deitei, achei que o dia de hoje seria mais um. Afinal já me devia ter habituado a celebrar o Dia do Pai noutros dias; afinal até já estiveste em Cabo Verde, em missão, enquanto o Dia do Pai se desenrolava. Nesse dia lembro-me que falámos várias vezes de ti. Ainda hoje não sei se isso foi celebração, ou egoísmo de não te termos perto...

Se estivessemos acabaríamos por arranjar desculpas para não te ver, mas não te ter perto era o que mais custava. Queríamos poder escolher entre ver e não ver. Sem perceber que escolher é um luxo que não nos assiste. Devíamos aproveitar o que temos, para não lamentar depois o que não temos. Mas por muito que saibamos isso, nunca o faremos: Humanos! E por tudo isso já me devia ter habituado!

Mas não habituei! E hoje custou-me mais. Porque desta vez és tu que não me tens por perto. Desta vez mesmo que eu queira encurtar distâncias torna-se complicado fazê-lo. Desta vez mesmo que eu queira deitar a agenda para a fogueira, a distância continuará lá... Desta vez mesmo que tenha vinte e cinco horas para estar contigo, quando o dia só tem vinte e quatro, a distância continuará lá...

Custou-me mais não por estar longe, mas por perceber a estupidez dos anos em que não encurtei distâncias, que se podiam encurtar! Por perceber como desperdiçamos momentos, em troca de compromissos e business drinks. Por perceber em como deitamos para o lixo o calor das emoções, pela frieza de um simpósio internacional. Por perceber que este ano a distância venceu a luta! Se eu a queria usar como desculpa, pois aqui a tenho...

Tens uma forma curiosa de mostrar que gostas de mim! Dizes poucas vez em palavras o que sentes e no afã de querer proteger construiste uma imagem militarizada de ti mesmo. Mas, não penses que me enganas, tens um coração que se derrete como chocolate nos dedos de uma criança. Por medo de perder, de novo, tiveste sempre receio de querer conquistar e por isso parece que ficámos no limbo.

Ficámos sempre com coisas meio-ditas, meio-sentidas, meio-explicadas. Ficámos sempre numa fronteira tão delicada como a bela Bifrost que conduz os Deuses de Asgard aos Humanos de Midgard. Ficámos sempre numa fronteira ténue, que sabemos ser difícil de transpor. Como se uma barreira de cristal, tivesse a resistência do betão. Mas o amor está lá, o orgulho está lá, o gostar está lá... E, no ano em que sou vencido pela distância, as palavras são o único modo de dizer, não hoje mas sempre:

FELIZ DIA, Pai!


Thursday, March 13, 2014

Então mas não se queriam consensos?

A vida política em Portugal parece-me, anda tão desorientada quanto a metereologia por estes lados. Por aqui, no mesmo dia, temos neve, chuva, vento, sol. Por Portugal, no mesmo discurso, temos apelos ao consenso e acções anti-consenso... Ou seja chama-se pela chuva, mas vai-se para a rua com manga curta a achar que fará sol!

O actual governo chegou à governação com um conceito memorizado: consenso! Essa palavrinha à qual Habermas devotou alguma da sua sapiência foi memorizada apenas, porque se fosse aprendida ter-se-ia percebido desde cedo que consenso não implica unanimismo; não implica que nos conformemos todos e sigamos no rebanho da padronização de ideias e ideais!

O actual governo queixou-se, e com alguma razão (diga-se!), que a Oposição não estava aberta ao diálogo construtivo para se atingirem os tais consensos. Dizia o governo, com razão uma vez mais, que se optara pelo populismo fácil e por um vazio de propostas concretas. A Oposição, do tal arco governativo (seja lá o que isso for), descobrira a "insensibilidade social" e não queria outro argumento...

O actual governo, que tem um curioso Vice-Primeiro-Ministro que antes de o ser de demitiu de modo irrevogável (da sua posição Ministerial) para logo se revogar tudo, porque o poder vem primeiro e o cumprimento da palavra (a tal ética política!) vem depois... Muito depois... Se chegar a vir, claro! Que o Fidalgo gosta de ver o melhor em todos!

A Oposição, que precisa é de arrojo e audácia e não de Segurança, lá foi cedendo a tentar falar com o governo que tanto se queixara. Mas cedo se percebeu que o diálogo pretendido seria mais ou menos um monólogo, a várias vozes. Com um timoneiro a dizer o que pensa (timoneiro não em S. Bento, mas em Berlim!) e todos os outros a acenarem; porque não há alternativas. Ora meus senhores, alternativas há sempre... Pode não se gostar delas, mas elas existem!

E agora que o período da Tempestade se aproxima do fim (dizem, por aí!), começa a discutir-se o dia seguinte. O governo e o seu protector de Belém, diz que se chama Presidente (mas tem presidido tão pouco e protegido tanto!), vão falando que o dia seguinte se deve fazer a solo! Sem ajudas de ninguém, que a malta já se esforçou muito e agora tudo se encaminhará... Porque depois de tanto se destruir, algo agora terá que espontamente surgir! Fátima nem fica assim tão longe!

Um grupo de vozes, com visões diferentes, percursos diferentes, ideologias diferentes, ouviu o governo! Ponderou! E chegou a um consenso! Discordam! Organizaram-se em manifesto, protesto que não calcorreia ruas mas linhas, que puseram ao dispor. Estava em onda de consenso, queriam ver se o governo também estaria. O governo discorda do consenso. Nem consenso lhe chama... Porque é um consenso divergente! Porque é uma alternativa, e alternativas não se ponderam!

O consenso em Portugal é assim uma espécie de Abominável Homem das Neves! Ser mitológico, que muitos buscam usando os caminhos já usados... Porque procurar alternativas é mais complicado... Ser mitológico que todos invocam, até ao dia em que o veêm. Nesse momento o sonho do "avistamento" passa a pesadelo. E o Abominável Homem das Neves deixa de o ser, porque quem o buscou afinal não o queria encontrar.

O único consenso, é que não se encontrará consenso que consensualize tudo. Porque não se percebe que consenso implica tensão pela diversidade. Que consenso implica competição de ideias divergentes, que na sua colisão se transformam em algo novo. O Fidalgo não deixa de achar caricato, tragicamente caricato, que quem tanto queria consensos, queira agora minimizar o valor dos mesmos. Na próxima vez, aconselha-se a quem Governa prudência nos desejos!


Thursday, March 06, 2014

De tanto brincar, ainda se magoam...

Soube-se na semana passda que o PSD/CDS-PP, parceiros governamentais (mas curiosamente nem sempre aliados parlamentares!), decidiram coligar-se para as eleições de Maio ao Parlamento Europeu. A união só surpreendeu quem pouco percebe de política nacional, ou quem se quis deixar surpreender...

Ontem, na apresentação do seu manifesto eleitoral, o PSD/CDS-PP tentou "piscar" o olho ao eleitorado jovem, com um manifesto que se resumo a 101 ideais fáceis de partilhar nas redes sociais como fizeram questão de frisar. A manobra podia ser interessante, inteligente até, mas não é o caso. O manifesto resume-se a uma tentativa de hiper-mediatizar mensagens, cujo conteúdo (a existir!?) fica aquém do desejável.

O "casal" PSD/CDS-PP parte para as eleições Europeias com a intenção clara de mobilizar o eleitorado jovem, o mesmo eleitorado cujas taxas de desemprego efectivo são superiores a 35% e o mesmo eleitorado que poderá (irá!?) punir o actual Executivo com o voto no PCP ou no BE, ou ainda em outras formações mais pequenas que se apresentem às Europeias... como o PNR!

Apesar de o PNR não ser um candidato previsível a ganhar um lugar no Parlamento, por via do voto português, é importante lembrar que este partido tem aumentado, de modo consistente, de eleição para eleição, o número de votos.

O voto no PNR torna-se assim numa possibilidade real, especialmente num momento em que a esperança tarda a voltar e em que o diccere e o faccere, dos partidos do "arco governativo" (expressão que infelizmente virou moda!) não estão alinhados...

Afinal num país ainda abraços com os efeitos avassaladores da hiper-austeridade-tecnocrática e com cortes diários, faz pouco sentido que a apresentação do manifesto não tenha sido feita num local mais modesto, que não uma unidade hoteleira de luxo.

O Fidalgo está a ser picuinhas? Talvez! Mas nestes momentos de sufoco orçamental, e alta tensão social, os pequenos gestos simbólicos dizem mais, do que grandes discursos cheios de metáforas e de citações (quase sempre fora do contexto) dos "Lusíadas" (não foi o caso, desta vez)!

Nesta história toda, o Fidalgo não esqueceu o PS. Seguro parece apostado em perder as eleições Europeias e em deixar António Costa tomar conta do partido. Escolheu mal, e tarde, o cabeça de lista e ainda não apresentou manifesto. Tem tido dificuldade em articular um discurso coerente, que fuja do "aponta o dedo" e da demagogia saloia. Seguro mostra inconsistência própria de quem viveu dentro da tecnocracia partidária e não experimentou mais do mundo...

O Fidalgo pode parecer alarmista, mas a verdade é que num momento em que a Europa da União se depara com uma subida da extrema-direita em vários países (França, Hungria, Grécia, Dinamarca, Bélgica, Finlândia, Países Baixos, Polónia, Austria, Bulgária e Alemanha), parece-me pouco prudente que o PSD/CDS-PP se entretenha mais com os aspectos estilístico-o-interactivos do seu manifesto do que com o conteúdo. Parece-me grave ter um PS meio-perdido e meio-atordoado.

Se o Parlamento Europeu for literalmente invadido, por via do voto popular, por membros da extrema-direita anti-europeísta então o Parlamento Europeu tornar-se-á num anti-Parlamento e será destruído por dentro. Os pilares frágeis da Europa da União têm tremido muito nos últimos 3/4 anos e correm agora riscos de entrar em tal estado de degradação, que restará apenas a implosão...

E enquanto o cenário se torna mais complicado, enquanto a serenidade se vai esfumando, por terras lusitanas vai-se brincando aos manifestos e sonhando com a governação, sem se saber bem o que governar implica. Se é seriedade e alto valor patriótico que se pede aos portugueses perante a hiper-austeridade, então é com seriedade que se devia comportar quem governa... e quem tanto quer governar...


Sunday, March 02, 2014

Tentando fazer do longe, menos longe...

Sexta-feira, 2 de Março, 2012. Não posso afiançar que tenha acordado com um sorriso, mas sei que saí de casa contente. A minha mãe celebrava meio-século de vida. Uma existência cheia de experiências, de momentos, de conquistas, de perdas, de "seguir em frente" que se ia celebrar. Não te pude dar um beijinho pela manhã, mas lembro-me de ter enviado um SMS bem cedo.

Trabalhava em Lisboa, fazia aquilo que mais gostava. Ainda não tinha um título pomposo, por extenso, antes do meu nome... Mas estava feliz! A minha inspiração, a razão para ser o que Sou celebrava 50 anos; e apesar de nem sempre teres vivido num conto de fadas, para mim sempre foste uma Rainha. Trabalhava em Lisboa, vivia em Oeiras, mas sabia que às 20h51 (se o Intercidades não atrasasse) estaria em Abrantes e pelas 21h dar-te-ia um beijo de parabéns!

Sábado, 2 de Março, 2013. Uma vez mais não me lembro se acordei a sorrir, mas gosto de pensar que sim; que acordei a sorrir. Era sábado e, com o título pomposo conquistado, tinha sido relegado a voltar para casa. Os mercados andavam nervosos e aprendizes de feiticeiro brincavam aos políticos, enquanto vidas e vidas se iam adiando. Mas nada disso importava, nada disso me vinha à memória, porque tu fazias anos: meio-século+1 (que não se diz a idade de uma senhora).

Pude dar-te um beijinho de parabéns logo pela manhã e ver as tuas lágrimas de felicidade correrem pelo rosto, enquanto lias o que te escrevi. Sempre tive a facilidade de brincar com as palavras. As palavras nunca me trairam, porque sempre lhes mostrei respeito. Com as palavras provoco risos, lágrimas e instigo sonhos e arquivo memórias. Não posso dizer que amo as palavras, porque amor é o que sinto por ti: Mãe! O dia foi tranquilo, com sol (isso eu lembro-me!).

Não me lembro de visitas da troika, de grandes manifestações, de problemas no Leste Europeu, de caos no Cáucaso, ou na Ásia Central. Não me lembro de pensar em desemprego, apesar de poder apenas ofertar-te palavras porque para o resto não tinha plafond. Mas lembro-me que não querias saber de plafonds e de bugigangas, porque sempre gostastes das minhas palavras. E foi isso que te dei aquelas palavras, com as quais (sabes bem, mãe!) vou cosendo a minha alma!

Domingo, 2 de Março, 2014. Acordei a sorrir. Sei que filmei uma pequena surpresa, que não substituindo o contacto da pele na pele, é melhor do que a frieza dos emails. Porque apesar do mel e algodão doce com quem revestimos as palavras, tentando dar-lhes vida, as palavras grafadas têm limitações... Não culpo as palavras pela sua sonora surdez, porque estou farto de atribuir culpas!

Acordei a saber que nos teus 52 anos estás no meio de um furacão de emoções. Contente porque os teus filhos seguem com as suas vidas, lutam pelos seus sonhos e, apesar de muita barreira, vão triunfando. Contente porque cada vitória nossa é tua, muito tua. Mas triste, porque nem todos estamos perto. Nem todos estamos à distância de uma chamada, de um comboio, de um expresso... Nem todos estamos...

A ideia é que celebremos o teu dia hoje? Pois lamento desapontar-te(vos) mas faço isso todos os dias. Não foi apenas pela minha carreira que vim para longe; não foi apenas pelo meu futuro. Foi para homenagear e celebrar o que é ser Filomena. Sempre te vi lutar contra hidras de 9 cabeças e Medusas escorregadias e nunca te vi dizer não ao confronto. Como te poderia celebrar se me negasse a uma batalha?

Cada dia aqui, neste meu exílio, é uma celebração não de mim, mas de ti. Porque foi em ti que me inspirei estes anos todos. Foi em ti que busquei a garra, que ser do signo Leão não traz só por si. Foi em ti que eu vi a nobreza dos guerreiros e a elegância da nobreza, misturados nos teus olhos meio-verdes, meio-avelã. E por isso digo-te Parabéns hoje, porque é da praxe, mas te direi parabéns amanhã, e depois, e depois, e depois, e depois...

Com amor do seguidor, do admirador, do amigo, do filho,
MUITOS PARABÉNS!