Wednesday, November 30, 2011

Hoje: apresentação em Cracóvia (Polónia)!

E hoje, enquanto em Portugal se celebra a Restauração da Independência (e, pela última vez, feriado nacional), lá vou eu apresentar a minha comunicação no Congresso Internacional e Interdisciplinar no 20º Aniversário da Dissolução da União Soviética, a decorrer em Cracóvia (Polónia). O painel onde estou inserido começa pelas 11h45 (19h45 em Portugal) e terminará pelas 14h.

Sobre o meu painel:

Tema geral: North and South Caucasus in the Next Scene of the Drama
Moderador: Renata Król-Mazor, Universidade Jagiellonian

Oradores:
Tiago Ferreira Lopes, Instituto do Oriente e Observatório de Segurança Humana (Portugal)
Agnieszka Konopelko, Universidade Tecnológica de Bialystok (Polónia)
Barbara Patlewicz, Universidade de Szczecin (Polónia)
Michal Rzepecki, Universidade Jagiellonian (Polónia
Zbigniew Rokita, Universidade Jagiellonian (Polónia)

Terei 20 minutos para apresentar o meu tema "From the promise of a post-soviet future to a new chaos: a synoptic vision of the North Caucasus inside the Russian Federation". É esperar que corra tudo bem!



Uma vez fora... Olhar para dentro!

Uma das coisas que mais gosto de fazer, confesso-o, quando estou em conferências internacionais é perceber qual o "sentimento" de quem recebe (no caso, os polacos) em relação a alguns assuntos. É óbvio, e tenho noção disso, que falo apenas com uma parcela da população. É, todavia, expectável que essa parcela da populações composta por cientistas políticos seja altamente informada, e portanto deixo-me "cair" na tentação de tomar o que me dizem como aceitável...

Depois de ter lido recentemente que a Moldova está a perder o interesse na União Europeia e olha cada vez mais para leste... para a grande Federação da Rússia. Ciente de que as três irmãs bálticas (Estónia, Letónia e Lituânia) olham para a Rússia ora com respeito, ora com receio, ora com pavor, achei interessante perguntar qual o sentimento por aqui... E em quatro pessoas "sondadas" fico perplexo com o 50-50.

A Federação da Rússia e a União Europeia dividem por aqui opiniões. Aos dois europeístas polacos assusta-os o "excessivo intervencionismo da Rússia"; aos dois russófilos polacos desagrada a lentidão da União Europeia na demanda para solucionar os seus problemas. É uma questão de copo meio cheio ou copo meio vazio.

Para uns é melhor passear na pradaria onde o euro-herbívoro rumina lentamente, apesar dos esforços de Merkel para pastorar a manada. Para outros é mais seguro o intrusivo urso russo, com o seu poder de decisão rápido, centralizado e por isso mais activo (o que não significa, de per si, que seja mais eficaz!). A discussão corria simpática, com a ajuda de um vinho polaco (cuja acentuada acidez resulta numa experiência interessante), quando se juntou ao grupo um checo e dois alemães.

Para o checo, que logo se assumiu como ocidentalista e europeísta, olhar para a Rússia é sinónimo de saudosismo e tentativa vã de encontrar soluções onde, diz o checo, só se poderão encontrar problemas. Mas, o mesmo checo, admite que na República Checa, nos últimos anos, cresceu o número de simpatizantes por uma aproximação à Federação da Rússia. E o euro? Isso ainda divide mais...

Porque se é um facto que a Grécia e Portugal, abraços com ajuda externa, fazem parte do euro... É também verdade que a Hungria, a Islândia e a Roménia, fora do euro, enfrentam graves crises económicas. É igualmente certo que a vizinha Eslováquia cresceu com o euro. E portanto fico com a ideia que o que nos divide em Portugal é, afinal, mais europeu do que poderá parecer. E os alemães? Bem, obviamente que defenderam a UE e o euro... Mas, para meu espanto e gáudio, acham legítimo a Alemanha "bancar" as crises dos países periféricos, pois que a Alemanha foi quem mais beneficiou com o mesmo euro.

E podia continuar a reflectir, mas vou guardar os meus pensamentos para amanhã... Ou para qualquer outro dia...

Cumprimentos para Portugal (e demais países falantes de Português),

Do Fidalgo (que por estes dias anda por Cracóvia, na Polónia)

(Legenda: Foto tirada num city tour que fiz pela manhã a Cracóvia)

Monday, November 28, 2011

Em trânsito: Lisboa - Cracóvia

O Fidalgo hoje não escreve porque está em trânsito, voando de Lisboa para Cracóvia onde, nos próximos dias, irá participar numa Conferência Internacional Interdisciplinar sobre os primeiros vinte anos do espaço pós-soviético. Na Conferência, onde participo como investigador da equipa de Transições Políticas e Económicas do Instituto do Oriente irei apresentar um paper intitulado: "From the promise of a post-soviet future to a new chaos: A synoptic vision of the North Caucasus inside the Russian Federation".

Fica a promessa de que Fidalgo reportará novidades sempre que possa!

Concordando com o Fado, e o (lamentável) fado do Acordo...

O Fado foi aprovado como Património Imaterial da Humanidade pela UNESCO, reunida em Bali (Indonésia). O sucesso da candidatura adivinhava-se desde cedo, mas nestas coisas nada está garantido até ao momento da votação. E o Fado lá conseguiu seduzir os corações da Comissão, pois que, na verdade, nem todo o mundo vota.

Com o resultado da votação, cumpre-se a inesperada profecia das palavras cantadas por Mariza: "Nasceu de ser português / fez-se à vida pelo Mundo / foi pelo sonho vagabundo / foi pela Terra abraçado" (Fado Português de Nós, in: Transparente, 2005). Com o resultado da votação Amália Rodrigues, Alfredo Marceneiro, Carlos do Carmo e uma plêiade de fadistas conseguiram electrizar um povo com algo que não fosse futebol. Um feito notável!

A vitória da candidatura do Fado, na ascensão à lista do Património Imaterial da Humanidade (da UNESCO), é ainda mais saborosa se tivermos em atenção que nenhum país do espaço lusófono (aqueles países que mais facilmente podem entender a letra, que brota da sonoridade poderosa, intensa e vibrante dos Fadistas) teve direito de voto. É ainda mais necessária num momento em que nos esventram parte de Nós, com o menos acordado dos Acordos...

Oponho-me ao Acordo Ortográfico por imperativos irracionais, e não tenho problemas com isso. Oponho-me porque sinto a minha língua como minha e não abrirei mão, facilmente e sem luta, daquela que é a herança que me foi transmitida... Coisas de Monárquico talvez... Ou talvez não... O Acordo Ortográfico demonstra que quem o desenhou não é um "ensinador" da língua mas apenas um "estudioso" dos seus fenómenos, e isso faz toda a diferença.

E sim, eu sei que nos anos 1930 também se criaram forças de resistência ao acordo que mudou Cintra para Sintra e Pharmácia para Farmácia. Mas esse acordo apenas "afinou" a língua, apurou a correspondência entre a sonoridade e a escrita, mas não tentou plasmar na escrita, a oralidade. Em qualquer língua os registos oral e o escrito compõem-se de nuances, que dão vivacidade, originalidade e beleza a essa mesma língua... Porque razão na Língua Portuguesa terá que ser diferente?

A evolução na língua existe e lutar contra ela é uma inutilidade, mas a imposição da evolução transforma a língua em algo artificial. É isso que se quer? Desnaturalizar a língua? É que se a memória não me falha, para línguas artificiais, desprovidas do seu extraordinário e rico manto cultural, já temos o Esperanto e o código Morse. Já sei, sou um "velhinho do Restelo" que luto contra a evolução? Será que sou? Ou sou um defensor da evolução com legitimidade, com sentido, com nexo de causalidade...

Desde quando a evolução pela evolução provou ser frutuosa? Aposto que já se engasgaram alguns dos defensores do Acordo... E com esse engasganço me retiro, com um sorriso nos lábios...

Thursday, November 24, 2011

Amanhã. 14 horas. Aula Aberta na UBI!

Hoje escrevo apenas para falar do que vai acontecer amanhã... Amanhã, pelas 14 horas, irei dar uma aula aberta aos alunos de 1º e 2º Ciclos de Ciência Política e Relações Internacionais da Universidade da Beira Interior, a convite do núcleo de Ciência Política da UBI.

Circasses (ou Circassianos), Karachais, Balkares, Ossetas, Ingushes, Laks, Lezgins, Kumyks, Avars, Dargins, Cossacos, Khanato, Emirato... São apenas alguns dos nomes que irão desfilar pela apresentação que terminei de preparar há minutos! Vamos ver como corre a minha primeira experiência pela Academia na Covilhã (que é também a segunda experiência pelas Universidades do Norte, depois da ida à Universidade de Aveiro em Março de 2010).

Aqui fica o cartaz... E até ao próximo post!


Wednesday, November 23, 2011

Vivendo e aprendendo... Ou talvez não!

É lugar comum afirmar-se que a idade traz sabedoria. As experiências que vivemos e que nos moldam deveriam sedimentar a nossa capacidade de raciocínio e o nosso juízo, mas ao que parece nem sempre assim é... Vejamos dois exemplos da nossa esfera político-mediática, que quanto mais idade têm mais erros vão fazendo e, portanto, vão contrariando a máxima do: Vivendo e aprendendo!

Manuela Ferreira Leite aproveitou um convite da Ordem dos Economistas para se juntar ao coro, cada vez maior, dos que criticam a política orçamental do governo. Não que eu concorde com as subidas de impostos, mas acho de uma distinta lata (não consigo encontrar expressão mais suave!) que a ex-Ministra da Economia que propôs a subida do IVA, no seu Consulado, venha agora criticar o actual Ministro por fazer o mesmo, numa conjuntura claramente mais complexa!

Quer-me parecer que Manuela Ferreira Leite ainda não conseguiu perdoar a "ausência" de solidariedade do PSD para consigo, quando, então Ministra da Economia, eram muitas as vozes (da oposição e da sua "casa") que pediam a sua demissão. Quer-me parecer que Manuela Ferreira Leite, desde então, saltita de azedume em azedume, queimando o seu partido e, acrescento eu, queimando a sua imagem por incoerência mental e tacanhez! É que eu ainda não me esqueci ainda de quando pregou os méritos da suspensão da Democracia... Envie a ideia à D. Merkel I, pode ser que a Imperatriz da zona Euro aprove!

Lembra-me uma parca personagem de Clive, personagem do livro "A Casa da Rússia" de John Le Carré (a quem peço desculpas por comparar o seu personagem fascinante com Manuela Ferreira Leite), que olha para o mundo sempre belicista, desconfiado, em permanente modo de ataque! E não, não acho que seja a Margaret Thatcher lusitana como gostaria que a vissem... Longe, muito longe...

Passemos ao segundo exemplo: Mário Soares! Há muito que Mário Soares vem degradando a credibilidade que amealhou nos anos 80 e 90. A última candidatura a Belém e os sucessivos "erros" de raciocínio que vai acumulando tornaram-se tão comuns, que quase não merecem comentário. Em Mário Soares existem dois estados: 1.) ou escreve sobre um assunto desgastado e sem interesse, com a intensidade de quem descobriu a pólvora; 2.) ou escreve num tom populista, demagógico e quase irreflectido.

Nisto das opiniões, todos temos direito a ter uma... Seja ela mais ou menos interessante, mais ou menos informada, mais ou menos exacta... Mas diria eu que já vai sendo tempo de guardar a pena e a tinta, reservando para si as suas opiniões. A última coisa que precisamos é de inflamar rebeliões, revoluções ou outras coisas similares. Não é esse o caminho, e digo-o sendo Monárquico e desejoso que estou de ver a República ser destronada e a Monarquia (re)entronizada. Mas tenho a noção perfeita que não é por aí que se solucionam os problemas!

A estes dois exemplos poderia somar outros... Não é Sr. Otelo? -.- Muitos outros... E com isso vai-se dando razão a Durão Barroso (quem diria!) quando diz que há vozes a mais a fazerem ruído e propostas a menos a encontrarem soluções... E, deste assunto, nada mais tenho a dizer... Por agora, claro está! Mas é óbvio que vou estar atento.

Saudações do vosso Fidalgo!


Tuesday, November 22, 2011

E eu tinha que voltar ao pseudo-Império...

O refúgio em ditados populares, para desculparmos acções repetitivas não é novo. Aliás nem novo, nem inovador, mas nem por isso deixa de ser eficaz... E portanto aqui vou eu: Diz o povo, e tem razão, que não há duas sem três e eis que me vejo na tentação de comentar um assunto sobre o qual não percebo: Economia, claro está!

Tomara eu que muitos pseudo-comentadores e opinadores assumissem o seu desconhecimento perante os assuntos onde partilham a sua sabedoria... Seria tudo tão mais simples... Mas já estou a fugir ao assunto sobre o qual escreverei hoje. Economia! União Europeia (suspiro)! Euro (duplo suspiro)! Crise (obviamente!)

Com os mercados em constante estado de nervos (aconselhava uma ida ao psicólogo, talvez?), a Espanha passou hoje a pagar juros de dívida mais altos do que a Grécia, sempre apontada como a "primeira" a cair... Como se isso importasse para as populações grega, portuguesa, irlandesa e agora também húngara! Pois, enquanto os mercados cerram fileiras à Europa, tão pouco unida nestes dias, fazendo subir os juros da dívida da Itália, da Bélgica, da Áustria e dos Países Baixos (vulgo Holanda), a Hungria avançou com um pedido de assistência financeira ao FMI!

Um pedido um tanto ou quanto curioso... Se percebi bem, e quando não percebemos dos assuntos podemos dar-nos ao luxo do erro, a Hungria quer o dinheirinho emprestado, mas não está com grande vontade que lhes ditem as regras! Uma espécie de pacto win-win em que só ganha a Hungria! Quer-me parecer que até ao lavar dos cestos, esta vindima ainda vai dar muito vinho e do mediático...

Espanha foi a votos, esmagou-se a esquerda (para a qual se voltaram todos os dedos), elegeu-se um novo primeiro-ministro, que se junta aos novos primeiros-ministros da Itália (Mário Monti) e da Grécia (Lucas Papademos), escolhidos interinamente sem consulta popular, mas a fúria dos lucros e o nervosismo dos mercados continuam por apaziguar!

E claro que a Imperatriz da Europa, pelo menos no seu psico-teatrinho, veio fazer mais declarações, ao estilo autoritário (quase que arrisco dizer hitleriano), que tanto lhe apraz, de que se devem punir culpados... Vamos punir as instituições bancárias? E as agências de rating? E os mercados bolsistas? Não? Então vamos punir quem? Os Estados... Obviamente...

Diz ainda D. Merkel I que os tratados têm que ser revistos para se poder dar o merecido "tau-tau" em quem não aprendeu a lição... E ao que parece são muitos os candidatos a ficarem de costas voltadas para a parede da euro-masmorra!

Mas diz-me a mnése, que por vezes me apoquenta, que a Alemanha está longe de ser um bom exemplo com 14 falências... Com perdões de dívidas... Com o ónus de um século XX desastroso que, desculpem-me senhores e senhoras, não pode ser esquecido. Mais ainda, a Alemanha (que plasmou no euro, aquilo que era o marco alemão) como super-beneficiária do sistema da moeda única, não está a fazer mais do que o esperado quando auxilia quem precisa...

E no meio disto tudo, a posição de Portugal não podia ser mais ambígua. Elogiado pela Comissão Europeia pelo esforço de consolidação orçamental e castigado com projecções para 2012 que são, pelo menos, calamitosas... Ora se o esforço não traz resultados, pergunto-me de que serve o esforço? Para quê correr, correr, correr, se sabemos que não cortaremos a meta?

O Fidalgo deixa as questões em aberto... Volto amanhã!


Monday, November 21, 2011

E é que há mesmo quem transporte ausência de coerência por aí...

Ando a saltitar de Comissão em Comissão e vou-me desiludindo de umas para as outras! Depois da Comissão que defende um serviço público de televisão numa óptica autoritarista, que impede o diálogo e a oposição às decisões ministeriais (sim, falo da Comissão presidida por João Duque), eis que mergulho na Comissão graças à qual se avizinha mais uma gazetice em Lisboa... Porque greves é coisa que não se faz pela Capital!

Sugere a douta comissão, entre outras trapalhadas, o encerramento do Metro às 21h30 e o encerramento de uma série de carreiras da Carris. Ora não podia estar mais em desacordo! Discordo por muitas razões, mas prometo que me vou conter e apenas enumerar as mais importantes... Ou pelo menos vou tentar conter-me, que nisto das promessas por vezes dá-se o dito pelo não dito...

Parece-me pouco coerente o discurso do Governo no que toca a transportes, ou como dizia há uns dias o Prof. Marcelo Rebelo de Sousa parece-me que o mesmo discurso é inexistente. Quer-se o lisboeta a andar de transportes públicos, a abdicar do transporte privado em nome do trânsito e do meio ambiente e tudo isso me parece muito bem... Mas depois dá-se o dito pelo não dito (lá está a coisa das promessas!) e vem-se cortar essa mesma mobilidade pública e colectiva.

Parece-me pouco coerente que se gastem milhares, e não estou a ser apocalíptico nem faccioso, de euros em anúncios para motivar o uso da CP, Metro, Carris e demais congéneres e depois diz-se que afinal não há!!! Nesta fase, eu sei que vai parecer ilógico, impunha-se manter, se não mesmo aumentar a oferta de transportes públicos colectivos.

Manter, é o mínimo, numa capital que se quer europeia, móvel, dinâmica e activa! Ou então assumimos que a cidade só pode viver a meio-tempo e montamos cerco a Lisboa... Quem tem transporte privada ainda se vai safando, quem não tem... Paciência... Não tem, não se desloca... Dizia a IKEA, em tempos, para aproveitarmos mais a nossa casa? Acho que vai ser desta! -.-

Igualmente estranho parece-me o eterno discurso de que os transportes públicos não são rentáveis. Se assim o é deve ser por má gestão, porque quem anda de transportes públicos, pelo menos em Lisboa, encontra-os não raras vezes apinhados de gente. E não falo do Metro apenas... Algumas carreiras da Carris, como o 729, andam apinhadinhas de gente... Mas é logo esse 729 que aparece na lista de "para abater"? Meus senhores decisores e a coerência onde fica?

E mais uma perguntinha, para alimentar esta insana fogueira! Pergunto, humildemente (como é de supor), se os senhores da Comissão já andaram de transportes alguma vez? Se têm noção daquilo que foram transcrevendo para o papel? É que quer-me parecer, mas posso estar errado, que nunca andaram de transportes e que opinam sobre algo do qual nunca tiveram experiência e portanto dados para opinar... São opinantes meio-ocos meio-bacocos que vão dizendo umas coisas, em nome da "organização" dos números que, pasmem-se algumas almas, são pessoas... E vivem e tudo!

E acho que me fico por aqui... Que a semana ainda agora vai no adro...


Friday, November 18, 2011

A Comissão que mais parecia uma Banda Desenhada!

Ando há dois dias para escrever sobre este assunto... Mas primeiro fui "atropelado" pela realidade, que me levou a ter que escrever primeiro sobre o Nervosismo Crónico dos Mercados e depois foi o meu PC que achou por bem fazer greve! Esteve toda a noite a actualizar programas, seja lá o que isso for! -.-'

Confesso o meu total assombro ao ler algumas das conclusões da Comissão encarregue de definir a operacionalização do conceito (assumindo-se, por defeito, que existe um conceito minimamente consensual) de Serviço Público. E ao contrário do que vai acontecendo nos posts sobre Economia, no que se refere a esta temática eu sei alguma coisinha!

Vamos por partes. Concordo, aliás creio ser consensual, que a missão dos canais RTP-Madeira e RTP-Açores esgotou-se e portanto não vejo nenhuma objecção ao encerramento dos mesmos. Não acho que se deva fazer esse encerramento para poupar algumas moedas, mas somente por imperativos lógicos. Tenho algumas reservas em que se queira fechar o canal RTP-Informação, tendo em conta a necessidade de um maior pluralismo mediático, no espectro dos canais da televisão por cabo.

Não podemos confiar aos privados essa missão, até porque como canais privados que são (SIC-Notícias e TVI-24) não deverão estar sujeitos a uma malha de controlo tão apertada, o que não implica que os mesmos não sejam regulados. São assuntos diferentes! A RTP-Informação poderá ser repensada, reorientada e redesenhada, mas a sua extinção advém de uma série de erros que, diria eu, normais quando a Comissão se faz chefiar por um economista!

Estou ciente que algumas personalidades da Comunicação Social, e da Comunicação enquanto área de estudo, integraram a Comissão, mas entregar a presidência da mesma a um economista só podia dar nisto: uma série de recomendações, que eu recomendaria que fossem lidas como se fossem uma banda desenhada. Estão no papel, dão para rir, mas não são para levar a sério!

Especialmente a parte em que sugere a Comissão, para meu espanto e horror, que o canal RTP-Internacional fique sobre tutela do Ministério dos Negócios Estrangeiros (não vejo mal, neste ponto), e que as decisões do Ministério em causa não deverão poder ser alvo de contestação... Quer-me parecer que o lápis azul anda nas carteiras de certas pessoas; ou pelo menos nas mentes iluminadas de certos presidentes de certas comissões que prestam serviços pouco-ou-mesmo-nada públicos.

A alienação da RTP2 é complicada de ajuizar, mas tenderei a dizer que sou semi-contra. Passo a explicar: ora se poupamos com o encerramento das RTP's das regiões autónomas e, portanto, passamos a dispor de mais recursos técnicos, humanos e financeiros, parece-me que redesenhar a missão da RTP2, importante divulgador de ciência e cultura, naquele que é um panorama audiovisual paupérrimo, quando contamos apenas com os canais em sinal aberto.

É certo que a RTP2 tem, historicamente, audiências que não chegam aos dois dígitos, aliás não são raras as vezes em que não chegam a captar a atenção de 5% da audiência. E portanto o seu encerramento poderia ser algo natural, numa lógica darwiniana (sobrevivência do mais visto)! Mas, e já o disse antes, o simples fechar por não ter audiências parece-me solução fácil e que pouco soluciona. A RTP2 precisa ser repensada, envolver-se mais com a sociedade civil, talvez dispensar a programação anglófona e ser 100% nacional; mas alienar o mesmo canal será apenas abrir a porta a termos mais uma privada, mais uma novena de novelas e de reality-shows...

E já só me falta comentar a proposta de encerramento da Entidade Reguladora da Comunicação. Vou ser breve: É RIDÍCULO! É extraordinária a turbulência da História da Regulação dos Meios de Comunicação Social em Portugal. Andamos a saltar de "experiência" em "experiência" e nunca deixamos que nada sedimente, que ganhe alicerces. A ERC precisa ser repensada? Talvez! A sua actuação precisa ser mais pró-activa e mais imediata? Sem dúvida! E se a extinguíssemos para evitar chatices? Não, obrigado!

E porque o Fidalgo não quer maçar mais o simpático leitor fico-me por aqui... Por hoje...


Wednesday, November 16, 2011

Mais um episódio da saga: Los Mercados Nerviosos


Antes de tudo relembro o que já antes escrevi: Não percebo nada de Economia!

E eis que os mercados, nervosos como sempre, voltam a assustar a União-que-se-diz-Europeia (mas que  mais parece um Cárcere-de-tipo-Germanófilo). Os PIIGS, acrónimo anglófono pouco diplomático (se não mesmo deselegante!) na qual se arrumam os desalinhados Portugal, Itália, Irlanda (o último I a entrar para o chiqueiro), Grécia e Espanha (a mais próxima de cruzar a porta de saída do chiqueiro e de entrar no galinheiro Merkeliano), não estão sozinhos no ataque voraz dos mercados!

A França, a Bélgica, a Holanda e a Áustria estão agora na mira dos mercados, que procuram saciar uma fome insaciável por lucros fáceis, à custa da qualidade e da dignidade de vida de sociedades inteiras. Os mercados, faço questão de sublinhar, são uma reificação do homem enquanto ser social e socializado. E como criação humana são passíveis de reformulação, de transformação e de controlo… Não percebo qual a dificuldade em se entender isto! Qual a razão da morosidade na tomada de decisões!?!

Os mercados andam, por estes dias, tão nervosos quanto vorazes, porque perceberam que a Europa ruma (e há muito) sem uma liderança. Por muito pró-activa que seja a actuação da Comissão Europeia, sobre a égide do timoneiro Durão Barroso, a verdade é que falta uma acção consertada inter-institucional, musculada e acima de tudo assertiva, inteligível e comunitária.

Com a presidência da União Europeia pós-Tratado de Lisboa entregue a um homem capaz de se auto-eclipsar, mais facilmente do que os personagens de qualidade duvidosa de Stephenie Mayer (lembra-se de Herman Von Rumpy?) e uma Alta Representante da União para as Relações Internacionais tão útil como água salgada no Mar Morto (a britânica Catherine Ashton) é difícil mostrar “serviço” e serenar os mercados.

E mesmo há escala estatal, o cenário não melhora. Sarkozy é um político periclitante, com pouca chama europeia, e com uma inteligência política que corresponde ex aequo a essa pouca chama. Monti e Papademos só chegaram agora, mas ainda não conseguiram firmar qualquer um dos seus méritos. Incrivelmente, Papademos já foi sujeito a um voto de confiança do Parlamento grego: acto tão banalizado nos últimos dias, que a sua força já há muito se esgotou.

Da Espanha pouco se pode escrever, em vésperas de uma eleição que promete mudanças no reino vizinho. A Bélgica, recordista mundial na “demanda” para formar um governo, procura estabilizar-se internamente, optando por um low profile a que já nos fomos acostumando. Da Áustria ouvem-se vozes que fazem eco dos apelos de Merkel. E eu que não tinha percebido que os Grandes Eleitores (os mercados, claro está) a tinham nomeado como Imperatriz do (ao que parece ressuscitado) Pós-Moderno Sacro Império Romano Germânico!

Se os Mercados andam nervosos que tomem um cházinho de camomila, que bebam um vinho do Porto, que comam um queijinho de Serpa, ou que vão fazer termas em Chaves, que para estes lados já se começa a perder a paciência!!!


Tuesday, November 15, 2011

"Panem et circenses" à la portuguesa...

Acaba de sair para a imprensa a notícia onde se esclarece, por fim, quais os dois feriados civis que serão suprimidos do calendário e confesso a minha estupefacção, para não dizer desilusão, ou mesmo fúria. Contava com imensos malabarismos, regidos por uma linha que separa o racional do ilógico, no corte dos feriados civis. Tenho perfeito noção que esta era, em qualquer cenário, uma escolha que se previa difícil; todavia, num período complicado como este, imperava que a escolha não fosse somente feita, mas que fosse feita com coragem. Optou-se, vá-se lá saber porquê, por uma escolha que roça o patético!!!

Pois então acabemos com o 1 de Dezembro e com o 5 de Outubro. O que importa celebrar a Restauração da Independência Portuguesa, num país cada vez mais amarrado a estranhas correntes euro-idiossincráticas e proto-mundistas? De que importa ter restaurado a independência, se agora temos pouco espaço para uma verdadeira autonomia política? Nesta perspectiva até que faz sentido... E cai o 1 de Dezembro!!!

E eu, monárquico confesso, até cederia o 1 de Dezembro, para salvar o 5 de Outubro! Contra-senso (pensarão, neste momento, alguns)? Nem por isso! O 5 de Outubro, antes de assinalar o começo da Era Republicana, já marcava o começo de Portugal como entidade política soberana, aquando da assinatura do Tratado de Zamora em 1143. Vai longínquo o tempo, mas nem por isso deverá ser esquecido...

Mais ainda... Qual o sentido de se terem gastos 10 milhões de euros com a celebração do Centenário da República (e nem falo da qualidade débil de algumas das iniciativas apoiadas pelo Estado), se no ano seguinte a mesma efeméride é varrida do calendário??? E, meus senhores, nem se atrevam a ensaiar a velhinha desculpa do: "mas não era o nosso governo..." Quando se conquista o poder, herdam-se responsabilidades! Ou esqueceram-se disso, para os lados de São Bento?

E enquanto estes marcos identitários, verdadeiros pesos pesados (permitam-me o trocadilho fácil), vão sair do calendário o efémero, na melhor das hipóteses, o Carnaval (pasmem-se as alminhas lusitanas) consegue sobreviver! Ora peço que me expliquem o que é mais importante?!? Um feriado que assinala apenas a folia (e que apesar de associado a festividades pagãs, não é comemorado por essas mesmas festividades), ou um feriado que nos relembra quem somos enquanto povo!

Bem sei que se ensina nas aulas de História que os políticos Romanos (note-se os da Roma Imperial Antiga, e não os da Itália Berlusconiana do presente) tinham como uma das suas máximas, na governação política do Império, o panem et circenses (pão e circo); mas parece-me que estamos a levar tudo muito à letra. Até porque, arrisco-me a dizer que a expressão, em Portugal, em 2012, corre sérios riscos de morrer coxa... Ou pelo menos entrar em coma! Porque circo vai haver (e muito!), a julgar pela proposta do governo, mas pão isso ninguém sabe...

Só espero que o bom senso impere e que o Carnaval tome o lugar do 5 de Outubro... Idealmente, o 1 de Dezembro seria resgatado, nesta troca de prisioneiros da guerrilha euro-financeira, entregando-se o 1 de Maio às feras. Se é dia do Trabalhador, pois que se trabalhe! Se o ideal não for possível, que os Sindicatos vão ficar de cabelinhos em pé, ao menos que o racional impere e deixemos-nos de Carnavais!


O Fidalgo aguarda novos desenvolvimentos... Com algum receio...

Monday, November 14, 2011

Economizar nas ideias dá nisto...

Triste vai a política de um país quando se passa um dia inteiro de volta das palavritas do Ministro da Economia. Álvaro Santos, Ministro da Economia, teria anunciado hoje o final da crise, ao estilo do que fizera, em 2006, Manuel Pinho então Ministro da Economia; ou do que alardeara o (na altura) ainda primeiro-ministro José Sócrates, em 2009.

O anúncio, que a realidade se encarrega demasiado facilmente de desmentir, poderia ter sido um fait-divers noticioso, e poderia ter constituído uma mera curiosidade do debate parlamentar... Mas num momento de escassez de ideias e de um quase vazio, para lamentar, em propostas e em argumentos construtivos, o secundário tornou-se em vedeta do dia! E saltou para as capas de todos os jornais on-line e para os ecrãs dos canais nacionais.

Não vou defender o senhor Ministro da Economia, ainda não me pagam para o assessorar, mas apetece-me sublinhar que se vestiu de uma gravidade inexistente, uma mera oração lançada ao vento. A ideia do senhor Ministro da Economia, não seria (espero eu!), a de vestir o fatinho de licra dos super-heróis, mas antes e somente a de dar alguma esperança (tão precisa nos dias de hoje) à população, perante tantos e tão grandes sacrifícios. 2012 será um ano duro, mas no final de um longo túnel com 366 estações, diz Álvaro Santos, já se vislumbra uma fogueirita crepitante (mas ainda pouco fulgurante e sujeita a euro-ventanias).

O (mesmo) Ministro da Economia falou hoje também do "pouca mobilidade" dos nossos feriados, conclusão lógica a que o Ministério da Economia só agora chegou (antes tarde do que nunca) e de como quatro feriados (curiosamente, e em princípio, os mais móveis), dois civis e dois religiosos irão eclipsar-se do calendário. Fico desapontado com a cedência perante as pressões do Vaticano, mesmo com a Concordata assinada, o país assume-se como sendo constitucionalmente laico. Quer-me parecer, e adoraria estar errado, que vamos abdicar de marcos estruturantes da nossa identidade nacional.

Se é para extinguir feriados civis que se acabe com o Carnaval e com o Dia do Trabalhador... Mas duvido que haja coragem para enfrentar os Sindicatos, que fariam a maior das tempestades, porque tudo pode ser mudado, desde que tudo fique na mesma... É aliás essa a mensagem que os Sindicatos têm dado com estas últimas parolas gazetices, que chamam de greve. Concorda-se que há muito que deve ser mudado, mas sempre que surge uma proposta de mudança (seja de que Executivo for) lá vêm eles para a rua.

Então meus senhores em que ficamos? É para mudar mesmo, ou para fingir que mudamos; enquanto esboçam argumentos fátuos e ludibriosos, cuspindo fonemas como "direitos adquiridos", ou o dramático "retrocesso histórico" aos quais não se juntam ideias coerentes, propostas realistas, soluções viáveis. Enquanto os Sindicatos forem brincando ao faz de conta, forem economizando nas ideias, é óbvio que o país vai ciclicamente chegar a este ponto...

Em tempo de economias e contenção, termino (hoje) por aqui...
Mas o Fidalgo vai continuar de olho aberto!


Sunday, November 13, 2011

Berlusconi, historietas da conspiração e o (preguiçoso do) eleitor!

Silvio Berlusconi, agora primeiro-ministro demissionário da Itália, obriga-me a dar o dito pelo não dito e a escrever antes que a segunda-feira chegue... Mas como estamos numa de fim-de-semana prometo, não sei (uma vez mais!) se irei cumprir, ser breve nas palavritas!!!

Silvio Berlusconi, que muitos portugueses rotulam de Alberto João Jardim milanês, apresentou a sua carta de  demissão ao Presidente da República italiana. Nessa carta, dizem por aí, terá escrito que sai orgulhoso do trabalho que desenvolveu. Parece-me que estamos a ver a sequela de um filme já visto: ou já se esqueceram do discurso sentido (quase emotivo) de José Sócrates, aquando do seu "até já"? Ou terei sido apenas eu a ler orgulho, nas palavras do nosso ex-primeiro-ministro?

E Berlusconi (dizem!) diz mais: está disposto a voltar ao governo... Algo também costumeiro na politiquinha que se vai fazendo na Europa dos dias de hoje. E aqui terei que dar uma palavrinha de aconchego aos políticos: a culpa, senhoras e senhores eleitores, não é só de quem concorre; é, diria eu, mais ainda de quem elege. Se Silvio Berlusconi está no poder é porque os eleitores assim o quiseram, e de pouco adianta a parolice das historietas da conspiração e o eterno "e se foi manipulado?"

A culpa da perpetuação de alguns representantes políticos está mais do lado de quem os elege... Eles concorrem, mas ninguém obriga o senhor/a eleitor/a a votar nele. O eleitor/a tende a não entender que o momento do voto é poderoso, que pode transmitir mensagens há classe política nesse singular gesto de "pôr a cruz no papelito". E eu sei que é mais simpático ir ao café discutir arbitragens; ou, mais cómodo, ficar no sofá a ver a trigésima repetição do Titanic ou do Armageddon.

Outros dirão e/ou pensarão: Mas eu sou só um? Comigo já somos dois... E se nos formos somando NÓS somos tantos! É no voto que poderemos começar evoluções sociais, e não convulsões proto-políticas, que pretendem um desnecessário revisionismo histórico, como esta semana se propunha um certo cavalheiro que alardeava, nos Media, pois claro!, a extraordinária janela de oportunidade para se encetarem Revoluções! A sério? Já agora faça-se um evento no Facebook!?! -.-' De que serve isso meu caro?

Se Silvio Berlusconi, num futuro evento eleitoral, for eleito por quem elege (falo de si senhor eleitor que ou vota; ou deixa que votem por si, enquanto se passeia de gelado na mão numa qualquer praceta), não venham para as ruas queixar-se e embandeirar argumentos contra isto e contra aquilo. E digo mais: Votou? Não? Paciência, agora aguente com o voto do seu vizinho!

E o Fidalgo retira-se que esta espécie de prédica já vai longa...


Thursday, November 10, 2011

"Sai uma previsão fresquinha para a mesa do canto!"

E a Comissão Europeia lá fez aquilo que mais gosta, e por vezes fico com a impressão que aquilo que apenas sabe, fazer: libertar previsões!

Uma vez mais Portugal aparece como o país da Zona Euro que vai sofrer a maior contracção económica. Um pequeno aviso é favor não confundir, por infortúnio ou por propositada, a Zona Euro com a União Europeia, como muito boa gente adora fazer!!! Na negra previsão da Comissão Europeia nada de novo, pensarão muitos portugueses, até porque adoramos o fatalismo do nosso fado de pobrezinhos e vítimas de tudo e todos (e não falo nem de arbitragens, nem de futebóis)!

E é verdade, nada de novo. Se a memória não me atraiçoa, o que poderá acontecer, estamos há dois anos seguidos a ser pincelados com as mais negras cores da União Europeia... E há dois anos que as previsões acabam por não se cumprir em pleno. Obviamente que, algum dia, a Comissão Europeia irá acertar nas suas previsões, mas pedia-se um pouco de maior rigor aos tecnocratas europeus!

Lendo o boletim informativo da Comissão Europeia, vou pensando, de mim para mim, para que servirão tantas previsões para além de empregarem um Carnaval de tecnocratas e de confirmarem a verdadeira histeria europeia para com os números? Numa Europa herbívora, que rumina lentamente em vez de decidir, e que placidamente se passeia nos campos do "Espera que já resolvo", faz-me alguma espécie ver tanta previsão e tanto falhanço, nessas mesmas previsões!

Acrescento ainda, e faço-o não apenas como cidadão global mas também como Secretário Executivo do Observatório de Segurança Humana, que a prisão dos números é em si parte do problema europeu. Os números, e as previsões, têm a sua validade enquanto ferramenta de apoio à decisão política, mas é preciso que haja decisão política e, muito mais importante, é vital que não nos esqueçamos que falamos de pessoas (não senhor deputado, não são apenas eleitores, são pessoas... e vivem e tudo!).

Os números que tanto ocupam, e tanto embaraçam, a tecnocracia do Euro-herbívoro obeso, encerram na sua frieza os rostos e as estórias de pessoas que vêem diminuídas quer a sua liberdade do medo (que gera insegurança); quer a sua liberdade do querer (que gera vulnerabilidades). Só um novo quadro mental re-centrado no ser humano, entendido não só enquanto parte do todo social mas fundamentalmente enquanto ser isolado e autónomo, poderá encontrar soluções viáveis, de desenvolvimento e crescimento sustentável.

Urge voltarmos a olhar para nós (pessoas; seres humanos individuais mas interdependentes) e não deixarmos que a reificação de ideias (porque a Economia e os Mercados não são mais do que isso, ideias reificadas pelo todo social) nos tome a vida de assalto.

E mais direi sobre isto... Quando achar oportuno!


Wednesday, November 09, 2011

E eu que hoje nem ia escrever no blog vejo-me compelido a ter que o fazer... Li no jornal Público, mas certamente estará em outros jornais, que a Conferência Episcopal Portugal (CEP) está disposta a abdicar de dois feriados religiosos, se o Estado fizer o mesmo com dois feriados civis!

Abdicar de feriados religiosos não me parece mal de todo, aliás não eliminaria dois mas, pelo menos, três: o Dia do Corpo de Deus, o qual a maioria de nós nem sequer sabe porque razão é feriado (muito embora discorde que a ignorância seja factor para eliminar feriados); 15 de Agosto (festa de Nossa Senhora da Assunção) e o 8 de Dezembro (Imaculada Conceição e, em tempos idos, Dia da Mãe).

Se temos o 1 de Novembro para comemorar todos os Santos, não vejo a necessidade de andarmos a destacar efemérides das santidades católicas... Até aqui nada de extraordinário! O que me causou espanto, estranheza e alguma perplexidade foi o facto de a CEP dizer que elimina dois feriados, se o Estado fizer o mesmo!!!

Não quero cair em populismos barrocos, cheios de metáforas tão bem construídas quanto vazias, mas desde quando um estado semi-laico (porque não nos podemos esquecer da Concordata) se tem que curvar ao Vaticano? A Era da Respublica Christiana já acabou, meus caros senhores de vermelho e púrpura...

Os Acordos devem ser honrados, ou renegociados, nisso estamos de acordo. Mas também me parece razoável asseverar, que é pouco sagaz querer por em pé de igualdade o esquecido 15 de Agosto, com o necessário 1 de Dezembro (para os mais esquecidos, Dia da Restauração da Independência). Aliás, excluindo o Carnaval, acho que não se devia sequer mexer nos feriados civis, mesmo o 10 de Junho (normalmente dado como um exemplo de feriado civil que poderia desaparecer) não deve ser removido, num país que se quer orgulhoso da sua portugalidade e liderando o espaço da lusofonia (seja lá o que isso for).

O 25 de Abril, li algures, poderia passar a ser móvel, porque, diziam mentes iluminadas, representa um conceito de liberdade! Seria o mesmo que dizer aos Russos que o 4 de Novembro (recém-instituído Dia da Unidade Nacional) passaria a ser móvel, já que assinala um evento que, na verdade, ninguém pode precisar ao certo (o Dia da Unidade Nacional está associado à vitória sobre o exército polaco, em 1612, e ao fim da Era dos Problemas, com a coroação de Mikhail Romanov).

Parece-me óbvio que não se irá ponderar uma anulação do 1 de Dezembro (que marca a reconquista da independência nacional em 1640; nesse primeiro dia de Dezembro a acção dos Conjurados levaria a um término da mais pequena das quatro dinastias: Dinastia Filipina), nem mesmo do 5 de Outubro (que quotidianamente simboliza, infelizmente, apenas a Instauração da República; pois que nos fomos esquecendo da "oficialização" do nascimento de Portugal com a Assinatura do Tratado de Zamora, no dia 5 de Outubro de 1143).

Eu até acho, mas os Tempos não estarão para isso, que nos falta um feriado a 20 de Maio. Troco, de bom grado, a inutilidade que (na minha perspectiva!) é a celebração do Dia do Trabalhador com um dia de gazetice e preguiça, por aquilo que seria o Dia do Império Português, aproveitando o dia 20 de Maio de 1498 (chegada à Índia da armada lusitana, comandada por Vasco da Gama) como marco desse momento importante, no qual não devemos ficar presos em memórias passadistas; mas do qual não nos devemos esquecer, pelo muito que nos ensina!

Mais haveria para escrever... Mas quer-me parecer que o Fidalgo ainda voltará a escrever sobre este assunto...

Tuesday, November 08, 2011

E hoje nada mais apropriado do que falar de greves...

Fico sempre com um sentimento de desilusão com as greves portuguesas, sou sincero! Sinto uma desilusão parecida com a que Eça de Queiroz expressa, em "Os Maias", no episódio da Corrida de Cavalos, perante a pequenez e o amadorismo do evento todo feito ao improviso em palanques de madeira. A mesma tristeza que Almeida Garrett imprime em "As Viagens da Minha Terra" quando descobre que o pinhal de Leiria é menos do que idealizara; menos do que suficiente para justificar os personagens que recortara no caminho...

É isso que sinto com as greves em Portugal. Feitas de modo tão paupérrimo que fico sem saber se rio do amadorismo, se choro da sua precaridade mental! Uma greve, entenda-se, deve ser encarada como uma espécie de arma ATÓMICA, no decurso de um processo de negociação política. A greve, entendida como o último dos recursos, não deveria ser instrumento recorrente, pois que a sua repetição leva ao esgotamento da sua força.

A greve não pode ser UM instrumento de luta dos trabalhadores, mas deveria ser O instrumento de luta dos trabalhadores. A greve, assim entendida, deveria ser rara, impactante, organizada e com planeamento sério. E isso, para minha tristeza, está longe de espelhar o que se passa pelo cantinho lusitano. E Greve, tenho que dizer, não é o mesmo que Gazeta. E neste ponto, os nossos grevistas estão mais para gazeteiros do que para outra coisa qualquer.

A Arte de faltar ao trabalho é gazeta. Greve é outra coisa, e não vale a pena fingir que não se sabia isso. Na sua essência greve é ir para o local de trabalho e não exercer as funções previstas. Greve não é dormir mais duas horas, ver repetições de um qualquer jogo de futebol, ou ir para um centro comercial e dizer três ou quatro parangonices. Tudo isto é gazeta!

O grevista apresenta-se no local de trabalho, mas não trabalha porque está em greve. O grevista reivindica com inteligência e com crença no que faz; ao invés de se deixar conduzir por um pastor politicamente astuto. E acrescento ainda... A greve, apesar de nascer com os sindicatos, que nasceram politizados, devia já ter sido desvinculada do seu cunho politizante e populista. Chama-se a isso evolução; progresso. A greve deve mostrar contestação, indignação, mas não se deve amarrar a uma mensagem política pré-feita e requentada!

A greve quando entendida enquanto arma nuclear, feita de modo inteligente, consenciente e com um cunho de acção política mas não politizada terá o meu apoio. Esta gazetice aparolada, sem qualquer rastilho de lógica e de real inteligência está longe de ser uma greve. E portanto não, não consigo apoiar esta espécie de coisa que chamam de greve...

Monday, November 07, 2011

Confesso que não percebo muito de Economia. Sou um verdadeiro leigo, com acesso a informação e interesse em lê-la... E portanto não me espantará que, no meio do que vou escrever em seguida, muitos doutores em Economia se venham a rir com erros primários. É um risco que estou disposto a correr. E lanço-me então no desafio...

Confesso (hoje estou confessional!) que me tem feito algum estranheza o modus operandis do sistema económico. Obviamente, que será fruto do meu desconhecimento essa estranheza. Mas deixai-me então explicar onde entra a tal estranheza!

Ora imaginando que empresto 10€ a um amigo meu, chamemos-lhe Rodrigo. Empresto ao Rodrigo 10€ para que este comece o seu negócio e, num contracto normalíssimo, informo-o que no momento do pagamento terá que me pagar 12€ por culpa dos juros do empréstimo. Nada mais normal! E até aqui a estranheza não entra no meu raciocínio.

No dia seguinte, por razões que nada adiantam, peço emprestados 15€ a uma amiga, baptizemo-la de Susana, e ela avisa-me que, com os juros do empréstimo, terei que pagar 18€. A normalidade continua a reinar... E é aqui que o chamado "sistema económico internacional" introduz algo que me faz confusão. Lá vem a estranheza aos pulinhos!

Por uma qualquer razão fico com medo que o Rodrigo não consiga pagar os 10€, nem falo dos 12€, e obviamente penso num plano para não perder o dinheiro, que usarei para saldar a minha dívida com a Susana. No sistema económico internacional as coisas funcionam de outro modo... Se tenho medo que A não pagará X então faço com que A me ague X+?

Ora se essa pessoa ia ter dificuldades em pagar 12€, não será pior se eu lhe exigir 18€?

Mas a preversidade sistémica continua... A Susana, por saber que o Rodrigo poderá não conseguir pagar, exige-me a mim (que emprestei dinheiro ao Rodrigo), um pagamento não de 18€ mas de 30€. Por contágio??? Ora a continuar nesta espiral nem o Rodrigo me paga, nem eu pago à Susana e todos perdemos. Se imperar a racionalidade, onde não cabe o laxismo, ficamos todos em posição mais vantajosa... Mas posso ser eu, do alto da minha ignorância em economia, quem está a ver mal o problema.

E se o Rodrigo não conseguir pagar? Pois a culpa é dele, mau gestor do meu dinheiro, mas minha também; que deveria conhecer melhor a quem empresto dinheiro. Quando se empresta algo não custa nada saber a quem se empresta. Mas as coisas mudaram? É por isso que a vida se faz de riscos... E querer correr riscos, sem ter consequências causa-me estranheza...

E o Fidalgo promete ir escrevendo!