Tuesday, April 29, 2014

A Eslováquia vai a jogo... Mas para quê?

Foi ontem assinado um acordo entre Kiev e Bratislava que, dizem alguns supostos entendidos, marca um começo do caminho para se garantir a independência energética da Ucrânia. Numa cerimónia cheia de sorrisos, flashes, assinaturas, apertos de mão e palavrinhas de circunstância a Naftogaz (Ucrânia) e a Eustream (Eslováquia) selaram o acordo.

O acordo Ucrânia-Eslováquia (novo porta-voz regional da UE?) vem na sequência da crise na Crimeia, dos levantamentos populares de Sloviansk, Kharkiv e Donetsk (para falar dos mais mediatizados) e da "guerrilha de sanções" entre Bruxelas/Washington e Moscovo. A União Europeia sabe que não consegue garantir o normal fornecimento energético da Ucrânia e o acordo de ontem (em princípio!) tenta dar a volta a isso.

A verificar-se uma autonomização da Ucrânia em relação aos recursos energéticos da Rússia, por via do acordo com a Eslováquia, poderíamos vir a assistir a um empoderamento do pequeno estado eslovaco, que suplantaria (e muito) a importância da França na gestão da actual crise. O acordo poderia ser lido como uma jogada de mestre da Eslováquia para ganhar algum protagonismo ao nível euro-regional. Poderia...

Há contudo um pequeno problema nisto tudo; uma questão que tem que ser feita. De onde vem o gás que a Eslováquia (e possivelmente a Hungria e a Polónia, numa segunda fase) quer revender à Ucrânia? Vem da Rússia. Portanto, a Ucrânia quer autonomizar-se do gás russo, comprando aos eslovacos (em revenda) gás que vem da Rússia.

Mais ainda, o tal acordo que os media tentaram mostrar quase como histórico (retórica mediática de uma nova Guerra Fria?) é na verdade um acordo para início de negociações. Até porque a aprovação final do acesso da Ucrânia ao tal gás revendido pela Eslováquia depende da Rússia. A mesma Rússia à qual a Ucrânia procura "fugir" com este acordo.

A Eslováquia, que num acto de boa vontade, ou de pressão por parte de Bruxelas, abre agora negociações com a Ucrânia terá que ter cuidado no processo negocial. Cuidado porque a Rússia tem poder de veto sobre projectos desta natureza. Cuidado porque a Eslováquia entra em águas turvas, do ponto de vista legal (já o disse o Comissário Europeu para a Energia). Cuidado porque a Rússia pode sempre deixar de vender gás à Eslováquia e depois nem para revenda (à Ucrânia), nem para consumo próprio.

O acordo de ontem mostra, uma vez mais, o uso daquilo a que chamei de Summer Soft Power, ou diplomacia manipulativa de Verão. A União Europeia tem mantido um elevado nível de assertividade retórica na questão da Ucrânia porque, de momento, a mesma Ucrânia não precisa do gás russo para se aquecer. A UE tem jogado com Washington, mas parece ter esquecido que Washington está longe e tem autonomia de recursos energéticos.

Algo diz ao Fidalgo que quando chegar o Inverno (com temperaturas que vão facilmente aos -15ºC/-20ºC) a mesma União Europeia poderá não conseguir ser tão assertiva. Quando chegar o Inverno Bruxelas terá que passar de uma diplomacia confrontacional a uma diplomacia mais diplomática, passo o pleonasmo. Resta saber se na altura Moscovo, fustigada por vagas de sanções (muitas delas pouco sérias!), ainda estará disposta para negociar.


Thursday, April 24, 2014

E aos 40 anos, onde está o "cheiro" dos cravos de Abril?

40 anos! Amanhã celebram-se 40 anos do 25 de Abril. 40 anos dessa Revolução ímpar que com pouco sangue (que essa do "sem sangue" é pura mitologia) transformou o país. É um erro, se não mesmo uma injustiça, tentar minorar o que a revolução conseguiu. O 25 de Abril foi um sucesso. O pós-25 de Abril é que parece não estar correr tão bem...

Nessa manhã de 1974 os militares mostraram uma audácia e coragem ímpar. Louvem-se os militares há muito injustamente vilipendiados. Até podemos dizer que o Regime da II República (o tal do Estado Novo) acabaria sempre por cair, que estava podre, que tudo não passou de uma inevitabilidade. Mas também me parece que se ninguém soprar os castelos de cartas não se desmacham! E os militares (e bem!) sopraram e espantaram as cartas. Nascia a III República.

É isso que amanhã se celebra! São ideais; são projectos; são vontades; são desejos; são esperanças... São vontades de mudar para um algo melhor, que sendo inalcançável (a utopia da sociedade perfeita, será sempre isso mesmo, uma utopia) não deve deixar de ser perseguido. Não conseguimos alcançar a perfeição do todo social, mas podemos tentar minorar as imperfeições do mesmo...

O 25 de Abril é também prova de que nenhum regime sobrevive sem "ouvir as ruas"! As tais ruas que parecem ter sido purgadas do Parlamento (dita Casa da Democracia), onde se desfilam regulamentos, fazem pulir discursos e se cristalizam protocolos. É bom ter regras; é péssimo ficar prisioneiro das mesmas. O 25 de Abril é Liberdade e nada mais estranho do que ter regras que coartem quem quer falar sobre a mesma...

O 25 de Abril é (ou deveria ser) inspiração! Devemos procurar libertar-nos dos medos; começando pelos nossos medos e partindo para os do colectivo social. Devemos tentar olhar para o bem comum e fazer diferente, quando o fazer igual (está visto!) já não resolve; já não soluciona. Mesmo que isso faça descarrilar os exceis e os ratings. Porque há vida para além dos números, dos balanços, dos saldos, das contas correntes.

O 25 de Abril é poder e querer Ser outra vez! Estamos tão anestesiados pela ideia de catastrofismo social, de caminho para o abismo; estamos tão domesticados pelo brilho das luzes mediáticas que parece que esquecemos o mais importante: poder Ser. Porque Ser não basta; há que poder Ser. Texto ermético este? Talvez! Demasiado sonhador? Talvez! E depois? Deixem-no ser ermético e sonhador, se é assim que estes dedos (que não buscam consensos!) querem falar...

O 25 de Abril é Liberdade para lembrar o bem feito e o que ainda de bem está por fazer. Para lembrar a cada um de nós que a revolução continua. E longe, com o coração na pátria e o corpo fora dela, o 25 de Abril parece amargo quando para ter a Liberdade de trabalhar, tenho que abdicar de livremente estar com amigos e familiares. O 25 de Abril parece amargo, quando para ser livre de crescer tenho que me libertar (à força!) do meu lar...

O 25 de Abril não fracassou. Fracassaram os Homens que lhe seguiram! E fracassaram os homens e mulheres que não souberam afrontar, por cobardia ou conformismo, os que minaram a Revolução. Não sou apologista de um Revolucionarismo-proto-che guevariano, mas talvez seja preciso pensarmos de novo em mudar. E a resposta para o Futuro pode estar escondida no nosso Passado. Digo eu, claro...

VIVA O 25 DE ABRIL!

P.S. E amanhã vou, livremente claro, trabalhar...



Friday, April 18, 2014

Gabriel, obrigado e até logo!

Ainda estou meio que incrédulo. A finitude da nossa condição humana magoa mais do que condiciona. Não por temer o fim, mas por não gostar do fim de outros. De certos outros que pela sua Gigantude não deveriam submeter-se aos condicionalismos da carne. Mas submetem! E eu não gosto. Não porque isso condiciona, mas porque magoa. E a mágoa fica, instala-se e, no fim, condiciona...

Descobri-te com "A Crónica de uma Morte Anunciada". E logo percebi que se estabelecera uma relação entre nós, enquanto calcorreava as ruas com o teu personagem. Enquanto completava o círculo (o tal finis res) e descobria como se cumpria o título, fui tecendo um algo entre leitor-autor. Não lhe dei nome, porque numa relação feita de palavras, por vezes, as mesmas estão a mais. E ligámo-nos!

Nesse Verão saltei logo para os "Doze Contos Peregrinos" e depois para o "Outono do Patriarca" e depois fiz uma pausa. Estava rendido à magia dos sentimentos, porque a tua Mestria não estava nas palavras mas nos sentidos. Na pureza que arrepia os pelos do braço e nos faz perder o controlo sobre as lágrimas, ou sobre os sorrisos. Esses sentimentos intensos que me levaram a uma longa pausa... Deixei-te em espera!

Creio que levei mais de um ano, para voltar a estar contigo. "As Memórias das Minhas Putas Tristes" voltaram a ligar-nos e depois "Amor em Tempos de Cólera". E confirmei o que já sabia: eras companheiro numa jornada que fazíamos juntos, apesar de tão separados. E enquanto eu escrevia, e escrevo, por vezes o silêncio das tuas palavras guiava-me. E inundado pela tua escrita fui construindo um algo meu.

É curioso como nunca tentei falar contigo. Outros autores existem com quem troco emails, depois de me apaixonar pela sua escrita; depois de me inebriar pelas suas obras. Mas no teu caso, Gabriel, nunca tentei sequer enviar um email. Um mero escrivã (por vezes com sentimento de monge copista) não ia incomodar um semi-Deus das Palavras. Só de pensar nisso quase que corava.

Falávamos quando te dedilhava e quando te soletrava. Falávamos sempre resguardados pela intimidade dos espaços privados com um cálice de Porto, um copo de vinho tinto ou um mero chá ao lado. Falávamos sem trocar sons, para além do ocasional suspiro, ou do frágil som das lágrimas e do silencioso sorriso. E nesse momento foram muitas as vezes que me deste conforto Gabriel.

E ontem, enquanto terminava o jantar, soube que a tua finitude chegou! Primeiro fiquei incrédulo. Como podia ser verdade que estava encerrado um ciclo, se te tenho no quarto quase vinte vezes Gabriel? Depois a emoção tomou conta de mim e as lágrimas fizeram o seu caminho, deslizando pelas bochechas até ao queixo e pingando mãos que tinha no colo.

Nunca antes chorara por quem não conheci. Outros autores há com quem tenho uma relação tão ou mais intensa, mas muitos deles já os conheci finitos e os outros ainda caminham para a sua finitude. És o primeiro de uma pequena galeria que se extingue perante a minha consciência. E as lágrimas fizeram-se ao caminho, agora que o teu caminho se deixa de fazer...

E agora Gabriel? Não morre quem deixa obra, mas a obra agora pára! A tua obra deixa de crescer; de se expandir; de se transformar; de se adaptar. E agora Gabriel? Para além de te lembrar, de voltar para trás e estar contigo sempre que quiser, o que fica mais? Fica um obrigado que não cabe na rudeza dos vocábulos; fica um obrigado de quem caminhou atrás de ti; fica um obrigado de quem te deve muito. Fica um obrigado e até logo!


Sunday, April 13, 2014

E antes dos 200 dias, regresso...

Há dias dei por mim a contar os dias que já vivi na Turquia, tirando as duas vezes que já vim a Portugal (em Janeiro e em Fevereiro). E dei por mim com quase 200 dias de vida na Turquia. É uma pequena efeméride que não tem importância, para além daquela que eu lhe der... Mas para mim conta. É uma efeméride minha. Trivial? Sem dúvida. Mas o que é da vida, sem as suas trivialidades?

São quase 200 dias de experiência. Faço de cada dia um novo desafio; porque assim sei que no final tirarei partido de tudo; porque assim sei que valerá a pena; porque assim evoluo enquanto disfruto; porque assim ocupo a mente e como que drogo a saudade. Ela lá está... Sempre matreira! Pronto para atacar quando menos esperamos!

Mas já percebi que quando estou com adrenalina a correr-me nas veias; quando me concentro em vencer-me a mim mesmo, transformando cada chegada numa nova partida, ela deixa-se serenar. Mas eu sei que ela não desaparece. Se ser Português é ser/ter Saudade então sou português! Mas nem só de saudade se têm feito estes quase 200 dias.

A Turquia tem-me dado muito! Sinto hoje que sou um profissional muito, mais muito, melhor do que era há apenas uns meses. As dificuldades de ensinar numa língua estrangeira e o embate cultural obrigaram-me a fazer uso da criatividade e a ser arrojado. E o arrojo, pela primeira vez parcimonioso e contido, tem gerado frutos muito interessantes. Se sou mais ponderado, devo-o à Turquia.

A Turquia ensinou-me a ser ponderado. A ouviu primeiro, a ouvir em segundo e em terceiro e só depois falar. Eu! Que em Portugal nem deixava acabarem as frases para "atacar" logo com três ou quatro argumentos. Agora espero serenamente, ouço, filtro, destilo. Combino ideias, penso no impacto das mesmas, edito-as, transformo-as e só depois as liberto.

A Turquia ensinou-me a verdadeira noção das palavras Diferença e Minoria. Porque sou diferente de todos, apesar da minha aparência me facilitar a "fusão" social, a falta de domínio avançado da língua torna-me sempre diferente. Não são raras as noites que acabo a sorrir porque, apesar de estar rodeado de gente que conversa velozmente, estou sozinho!

E sou Minoria! Na única cidade da Turquia que deu aos Islâmicos Conservadores do Partido da Felicidade 20% de votos nas eleições regionais, não ser muçulmano é mais complicado do que pode parecer. Sou sincero, o respeito pelo facto de não ser muçulmano existe. Mas os apelos para que "me salve" e para que "deixe Ele falar comigo" vão sendo feitos.

E ser minoria é tudo menos fácil! E nesses momentos, em que nos sentimos minoria, a Saudade cresce, engrandence e galopa sobre mim... Acabo, não raras vezes, a ouvir Mariza, a trautear Ana Moura, a pensar em Camané e a deixar escapar lágrimas e sorrisos para o vazio do meu quarto. E a Saudade alimenta-se de mim enquanto pode; antes que eu a drogue com mais adrenalina e a serene...

São quase 200 dias e agora faço pausa! Este post sai do meu quarto de hotel em Coimbra. Vim em trabalho, para uma visita flash, para um novo regresso a Kirikkale onde completarei os 200 dias e seguirei em frente. Mas antes dos 200 dias faço pausa! Venho respirar lusitaniedade. Venho buscar um bocadinho de portugalidade e depois parto de novo. Antes dos 200 dias pausa, venho ao meu cantinho e logo logo regresso...


Wednesday, April 02, 2014

Eleições sim! Democracia, talvez...

No domingo a Turquia, tal como a França, foi a votos. Este foi, de resto, o primeiro de dois escrutínios eleitorais que o país terá este ano. Em Agosto serão as Presidenciais, que se começaram a jogar durante as eleições regionais de domingo... Mas já explico melhor!

Os resultados não surpreenderam no conteúdo mas na forma. Sabia-se, de antemão, que o partido do Governo (Partido para a Justiça e o Desenvolvimento, vulgo AKP) iria ganhar globalmente o escrutínio. Mas era incerta a votação nas duas grandes cidades: Ankara e Istanbul. (Izmir, a terceira maior cidade do país, é um bastião do Partido Republicano, ou CHP).

Muitos analistas e comentadores, antes das eleições, apontavam para resultados entre os 33% e os 38%, com alguns mais ousados a falarem em números como 40% mas nada previa uns expressivos 45% para o AKP. O que justifica então a expressiva votação no partido governo? Três coisas: desenvolvimento, síndrome da invasão eminente (ou revivalismo pós-Sèvres) e incompetência.

Desenvolvimento! A Turquia, de facto, está numa fase de crescimento e desenolvimento económico. Para alguém que saiu de Portugal, depressivo e onde a ordem é "fechar", é impressionante o pulsar vibrante de uma economia em crescimento. Na cidade onde estou, para dar um pequeno exemplo, têm abertos novos estabelecimentos quase todas as semanas.

E pelas cidades onde já estive, o cenário pouco muda. O Desenvolvimento prometido pelo AKP tornou-se mais do que uma promessa e os cidadãos, transformados em eleitores, deram novo voto de confiança. Em especial os eleitores na faixa dos 35-50 anos estão muito agradecidos ao AKP, porque as memórias dos anos sob o jugo militar e o jugo do FMI ainda não foram esquecidas. E não são boas memórias!

Síndrome da invasão eminente (ou revivalismo pós-Sèvres). No pós I Guerra Mundial, o Império Otomano (prestes a tornar-se República da Turquia) foi dividido em áreas de influência sob controlo dos gregos, arménios, franceses, ingleses, italianos. Foi aliás a ameaça de implosão, que levou ao acelerar das movimentações dos Jovens Turcos.

Esta ideia de todos quererem invadir a Turquia ficou muito marcada! O Primeiro-Ministro, político hábil a usar o medo em seu proveito, sob instrumentalizar esta ideia. Os partidários mais leais do AKP falam, não raras vezes, de como "Eles" (os Outros países) querem controlar, comandar, condicionar a Turquia. A mesma Turquia que resiste à ideia do Inglês como língua franca. Mas isso é outra história!

É aqui que se enquadram as proibições ao Twitter e ao Youtube. O Primeiro-Ministro tentou (e ao que parece conseguiu) instilar a ideia de que os media sociais, de per si, estavam a engendrar um ataque contra ele, ao serviço de agendas estrangeiras. As proibições foram um mal necessário, pelo bem da pátria. Salva-se a pátria de fantasmas que não existem, estrangula-se a democracia.

Incompetência! Da oposição, que se perdeu no jogo de palavras tensas com o Primeiro-Ministro e que quis simplesmente cavalgar na onda dos vários escândalos que tem surgido, no pós-Protestos de Gezi Park. Mas cavalgar na onda do ataque, a quem faz do medo pequeno-almoço, só podia dar asneira. Faltou verdadeiro debate político. As eleições foram tensas, mas porque se "fulanizou" muito e idealizou pouco.

Incompetência! De quem não soube organizar as eleições, que muito ficaram a dever à democracia. Parcialismo mediático, cortes de luz (que o Comité Nacional de Eleições diz terem sido culpa de um gato... Um gato-ninja, com olho para cortes apenas nos locais onde decorriam contagens de votos sensíveis); pancadaria (mais de 70 feridos registados por todo o país) e dez mortos... Um quadro belíssimo, para um país que diz ser candidato (apesar de não ser bem esse o desejo!) à União Europeia.

E agora? Agora o ciclo ainda não fechou! Para já estão a fazer-se recontagens. Numa das cidades ganhas pelo AKP por um voto, a recontagem deu derrota por bem mais do que um voto. Em Ankara, onde a corrida se disputa taco a taco, a tensão reina e ontem os protestos foram regados com canhões de água. Felizmente (ironizo, claro!), o dia até estava quente...

Agora, o Primeiro-Ministro vai dar uma de Putin e em Junho deve apresentar-se como candidato à Presidência da República, nas primeiras eleições directas para a Presidência da República da Turquia... E (curiosamente) com o Presidente a ganhar alguns poderes que antes não tinha. O próximo Primeiro-Ministro não será esvaziado (ainda!) da sua capacidade executiva, mas ficará seguramente condicionado.

Entre eleições a Turquia terá que se decidir quanto à questão da Crimeia, com quem partilha o mar Negro; terá que decidir-se quanto ao que fazer na Síria; clarificar os apoios dados no Iraque; reconstruir as relações com o Egipto e ponderar, com seriedade, se quer mesmo entrar para a União, ou se uma parceria estratégica não servirá melhor os seus interesses.