Monday, April 30, 2007

Da Casa Imperial Brasileira chega um texto que espelha bem a vontade dos brasileiros mudarem de regime... A Monarquia está tão perto, e todos com medo dela. Mas o que de bom nos trouxeram as Repúblicas? Ora pense nisso... Mas nao se assuste se nao tiver respostas! Afinal é você quem pediu uma República! Agora nao se queixe!
O Fidalgo
Extraído integralmente de:
Em 115 anos de Republica, quais foram as vitórias? Vamos aos seguintes pontos, na estabilidade política, até 1988 não tínhamos conseguido isso, tivemos em 110 anos, 9 golpes de estado, 13 ordenamentos constitucionais, 4 assembléias constituintes, 10 republicas, o Congresso, em nome da LIBERDADE, foi FECHADO 6 vezes, inclusive pelo primeiro Presidente, Marechal Deodoro da Fonseca.

Ocorreram censuras nos meios de comunicação inclusive o fechamento de jornais e periódicos.
Na economia, tínhamos uma moeda forte que era o mil reis, desde 1942 tivemos 8 moedas, a inflação média no império, era 1,58% ao ano, desde o fim do império a inflação chegou a 64,9 quatrilhões de %, tivemos 40 presidentes, se estivesse sido mantida a Monarquia os sucessores de Dom Pedro II, teriam sido apenas 3, gerando grande estabilidade tanto política quanto econômica.

Em uma monarquia o Monarca é o símbolo vivo da Nação onde não há espaço para aventureiros, para o "recebendo que se dá", para negociatas, corrupção, nepotismo e onde a ordem prevalece, um monarca é educado desde criança para reinar, e nunca somos pegos de surpresas, por novos governantes.

O nosso Imperador D. Pedro II, sempre se destacou pela diplomacia sendo arbitro em vários países, a nossa marinha era a 2º marinha de guerra do mundo, o Brasil era tido como um país de 1º mundo junto com a Inglaterra, Estados Unidos, França e Alemanha. Por esses e vários motivos que digo, que mudamos sim, da Monarquia para a Anarquia.
Nos tempos do Império do Brasil sob Dom Pedro II, o Brasil tinha uma moeda estável e forte, possuía a Segunda Marinha de Guerra do Mundo, teve os primeiros Correios e Telégrafos da América, foi uma das primeiras Nações a instalar linhas telefônicas e o segundo país do globo a ter selo postal;
O Parlamento do Império ombreava com o da Inglaterra, a diplomacia brasileira era uma das primeiras do mundo, tendo o Imperador sido árbitro em questões da França, Alemanha e Itália e segunda autoridade moral depois do Papa.
Em 67 anos de Império tivemos uma inflação média anual de apenas 1,58%, contra 10% nos primeiros 45 dias da República, 41% em 1890 e 50% em 1891;
A unidade monetária do Império, o mil réis, correspondia a 0.9 (nove décimos) de grama de ouro, equivalente ao dólar e à libra esterlina;

Embora o Orçamento Geral do Império tivesse crescido dez vezes entre 1841 e 1889, a dotação da Casa Imperial se manteve a mesma, isto é 800 contos de réis anuais? E que D, Pedro II destinou ¼ de seu orçamento pessoal em benefício das despesas da guerra do Paraguai;
800 contos d réis significava 67 contos de réis mensais e que os republicanos ao tomarem o poder estabeleceram para o presidente provisório um ordenado de 120 contos de réis por mês;
Uma das alegações dos republicanos para a derrubada da Monarquia era o que eles chamavam de custo excessivo da Família Imperial? A verdade é que esta recebia a metade do ordenado do 1º presidente republicano;

Dom Pedro II se recusou a aceitar a quantia de 5 mil contos de réis, oferecida pelos golpistas republicanos, quando do exílio, mostrando que o dinheiro não lhes pertencia, mas sim ao povo brasileiro (5 mil contos de réis era o equivalente a 4 toneladas e meia de ouro? Quantia que o Imperador recusou deixando ao País um último benefício: o grande exemplo de seu desprendimento. Infelizmente esse exemplo não frutificou na República, como seria necessário);
No Império o salário de um trabalhador sem nenhuma qualificação era de 25 mil réis? O que hoje equivale a 5 salários mínimos;

O Brasil era um exemplo de democracia. Votava no Brasil cerca de 13% da população. Na Inglaterra este percentual era de 7%; na Itália, 2%; em Portugal não ultrapassava os 9%. O percentual mais alto, 18%, foi alcançado pelos Estados Unidos. Na primeira eleição após o golpe militar que implantou a república em nossa terra, apenas 2,2% da população votou. Esta situação pouco mudou até 1930, quando o percentual não ultrapassava a insignificante casa dos 5,6%.
No plebiscito de 1993 a monarquia recebeu, aproximadamente, sete milhões de votos (13% dos votos válidos} e, nesta época uma pesquisa do DATA FOLHA mostrava que 21% da população era monarquista ou simpatizante...

Wednesday, April 25, 2007

O Dia da Liberdade comemora hoje em Portugal os 33 anos de Democracia, que vieram substituir os 48 de Ditadura! Muito foi feito, e isso ninguém pode ignorar, mas há tanto ainda por fazer! 25 de Abril, dizem, marca o início da Liberdade; pois pensemos livremente! E para pensar qui vos deixo uma entrevista curiosa, feita em Setembro de 2006 a D. Duarte Pio, pela revista Just Leader. Leia, pense, e não esqueça... Portugal não é de quem vive em S. Bento; Portugal é nosso!
O Fidalgo
GRANDE ENTREVISTA - D. Duarte Pio

E se Portugal fosse uma monarquia?

D. Duarte estudou agronomia mas se pudesse teria tirado o curso de arquitectura. Defende a monarquia como uma alternativa à corrupção governamental e como um selo dos interesses nacionais… acima de qualquer outra coisa. Se Portugal fosse uma monarquia e ele subisse ao trono garante que a sua missão seria “a defesa permanente dos valores da lusofonia”

Por Alexandra de Almeida Ferreira

Não é todos os dias que se conhece um rei. E não se é rei porque o Parlamento assim decide nem se deixa de o ser porque não vivemos numa monarquia. Nasce-se rei, é-se educado para ser rei e morre-se assim… rei. E se for um bom rei carrega o peso de um país nas costas. Assim o é D. Duarte, duque de Bragança.

Em Portugal, o rei não vive num palácio. As maçanetas da porta não são de ouro, só há duas empregadas - e uma está de férias - e o jardim até está a precisar de um jardineiro. Não há coroa nem manto. Não há corte. Há um homem mais alto do que se espera, mais carismático do que o querem fazer parecer e sobretudo politicamente corajoso.

Estudou agronomia e diz que a economia que importa é a que produz, por isso não liga à OPA na Portugal Telecom nem no BPI. Liga à agricultura. Um rei é assim. Uma pessoa algo desfasada da realidade e talvez até tendenciosa na forma de ver um país. Mas ninguém pede a um rei que seja primeiro-ministro e nos tire da cauda da Europa, que resolva o problema do desemprego e reduza o défice do PIB. Não é para isso que serve.

D. Duarte não é um homem moderno, é um homem tradicional. Tem valores pouco habituais e tem alguma coisa de “E Tudo o Vento Levou” na parte em que Scarlett O’Hara agarra no pó e na terra de Tara e a volta a cultivar. A economia que interessa é a que produz. Este rei já só é uma referência na história de Portugal que já vai longa e que já poucos de nós a sabe de cor e os outros fazem questão de não saber.
Se não fosse rei era arquitecto. Mas não se escolhe ser rei. É-se escolhido. E se Portugal fosse uma monarquia, D. Duarte encabeçava-a e, para quem duvida, o país não ficava mal na fotografia. É ele o líder da monarquia em Portugal, o homem que foi educado para ser o líder de todos nós.

Just Leader (jL) – Afirmou muitas vezes que Portugal não tem raciocínio lógico. Porque diz isso?

D. Duarte (DD) - Portugal tem um modelo cultural errado porque peca pela ausência de raciocínio lógico: as pessoas sabem o que querem e o que não querem, mas depois, quando agem, não agem com lógica. Por exemplo, todos sabemos que Portugal tem um problema de trânsito mas ninguém evita deixar o carro mal parado. Há falta de inteligência lógica. Achamos que o país tem um problema de desemprego e que as indústrias nacionais vão todas à falência mas quando vamos comprar não preferimos os produtos nacionais.

jL - Mas o que é que falta? Orgulho nacional? Uma alma comum?

DD - Há várias coisas que faltam. Sentido patriótico, preocupação com os outros, civismo, entre outras. Mas falta essencialmente raciocínio lógico. Estou a lembrar-me de um caso interessante. Quando foi a inauguração da Exponor em Santa Maria da Feira, eu fui visitar o local e estava lá o mestre de obras a quem perguntei quem tinham sido as fábricas das cadeiras que lá estavam. E ele responde-me: ‘ah! É tudo muito bom! É tudo italiano!’. Ora, eu não percebo! Isto pertence aos industriais do norte do país que são quem fabricam os móveis - os mesmos que estão preocupados com a concorrência estrangeira - e foram comprar 80 mil cadeiras no estrangeiro?!

jL - Porque talvez os nossos produtores não tenham capacidade de resposta em tempo útil e a preços competitivos…

DD - Claro que têm! Não têm dois meses antes, mas se forem avisados com mais antecedência preparam-se e, se uma fábrica sozinha não for capaz, dez juntas têm.

jL - Mas para isso era preciso que existissem clusters industriais em Portugal…

DD - Mas pertencendo a Exponor aos industriais do norte, este era o último caso onde eu esperava ouvir aquela resposta. Mas eu tenho uma suspeita: alguém recebeu uma comissão do fabricante italiano mas não posso confirmar. Mas a explicação que o mestre-de-obras me deu foi que o PSD, na altura em que estava no Governo, queria fazer o congresso do partido ali e tinha muita urgência. Então tiveram que comprar tudo rapidamente e a indústria portuguesa não conseguia dar resposta dentro do prazo. Ora qualquer país normal, seja na América do Sul, do Norte, Europa ou na Ásia, quando uma instituição pública ou um Governo vai fazer um concurso para qualquer coisa, primeiro avisa a indústria nacional, com um ano de antecedência, sobre as condições e, quando o concurso está perto, só a indústria nacional é que está preparada. Há pouco tempo aconteceu o contrário: o Instituto do Vinho do Porto encomendou um milhão de cálices do Vinho do Porto com um desenho novo especial do Siza Vieira. Aquilo estava desenhado de tal forma e exigiam condições técnicas tão específicas que só uma fábrica em França os podiam fazer. As fábricas portuguesas precisavam de uns meses para comprar maquinaria para poder fazer o cálice conforme o desenho. Das duas uma: ou o Siza ou Instituto do Vinho do Porto receberam uma comissão da fábrica em França, ou então estão todos loucos. O símbolo de Portugal – o Vinho do Porto – vai comprar copos no estrangeiro?! Pagos com o dinheiro dos contribuintes! Depois vêm os vidreiros da Marinha Grande fazer manifestações por causa do desemprego quando deviam era insurgir-se contra o Instituto do Vinho do Porto! Para que é que serve uma greve em tempo de crise? Só para enterrar ainda mais a empresa!

jL - Foi assim que interpretou o encerramento da fábrica da General Motors na Azambuja?

DD – Claro. Se começam a fazer o mesmo na Autoeuropa, o fim é o mesmo. Na Azambuja devia ter existido uma negociação melhor conduzida da parte do sindicato dos trabalhadores para se chegar a uma situação onde a General Motors ganhasse dinheiro por se manter cá e não prejuízos. Porque se eles vão fechar a fábrica e mudar-se para Espanha é porque vão ter mais lucros. Aliás esse é o grande problema das empresas portuguesas pertencerem a estrangeiros ou a multinacionais: não há qualquer interesse nacional, só e exclusivamente interesse pelo lucro. Se as empresas forem nacionais há uma preocupação mais social e humana e até política com a sua própria imagem pública. Não é só o lucro. Há fábricas em todo o mundo que aguentam o prejuízo em tempo de crise por razões maiores que o lucro imediato.

jL - Mas para se manter as empresas em mãos nacionais está-se, na maioria dos casos, a sacrificar a dimensão e, logo, a competitividade…

DD - Pois, isso é verdade mas pode resolver-se, em muitos casos, com associações livres entre a indústria portuguesa e a estrangeira e há grupos que o fazem: são complementares mas a propriedade mantém-se em mãos nacionais com um funcionamento em moldes internacionais. Os hotéis portugueses fazem muito isso: associam-se a marcas estrangeiras.

jL - Dentro do tecido empresarial português que empresas lhe despertam a atenção seja por bons ou maus motivos?

DD – Cerca de 70% das empresas portuguesas são de pequena e média dimensão e grande parte delas têm tido grande sucesso a nível internacional. Temos desde um dos melhores fabricantes de violinos do mundo a uma das melhores fábricas de lentes de máquinas fotográficas e equipamentos electrónicos. E há casos extraordinários de sucesso na agricultura. Nas grandes empresas há, evidentemente, os casos mais emblemáticos de sucesso. A mim interessam-me sobretudo as empresas no campo da produção industrial ou agrícola. Não tenho assim grande interesse pelo sector do comércio porque a economia que interessa é a que produz coisas.

A POLÍTICA EM PORTUGAL

jL - Por falar em Presidente da República, como é a sua relação com Cavaco Silva? É a pessoa certa para o lugar?

DD - É muito boa desde há muitos anos. Tenho muita admiração por ele. Haveria outras pessoas indicadas mas eu acho que, pelo seu passado e sobretudo pelo que tem vindo a demonstrar desde que assumiu o cargo, é certamente uma pessoa muitíssimo indicada para aquele lugar. Pelo menos não acredito que ele vá demitir o Governo porque se zanga com o primeiro–ministro. Não acredito que ele vá ter esse tipo de atitude que infelizmente já aconteceu em Portugal.

jL - Isso é uma farpa a Jorge Sampaio? Cavaco é melhor que o seu antecessor?

DD - Eu acho é que as pessoas que temos tido como Presidente da República em Portugal são sempre excelentes, bem intencionadas e bem formadas. O problema está na instituição em si, não nas pessoas. É muito difícil ser-se um Presidente da República que actua como um rei que é aquilo que os portugueses querem. Os portugueses querem um Presidente da República que seja como um rei. Alguém que seja um exemplo, modelo para o país, que se porte bem e que não favoreça o seu partido político, que não ajude os seus pares, que seja próximo das pessoas. Querem uma série de qualidades de um rei. É muito difícil ser-se um Presidente independente.

jL - Essa independência de que fala é a grande vantagem de uma monarquia constitucional?

DD - Pelo menos tem sido uma vantagem para todos os países que a têm com a excepção de uns países exóticos lá no fim do mundo, como o Nepal.

jL - Acha que a monarquia constitucional deveria ser referendada? Qual é que acha que seria o resultado?

DD - Depende da formulação. Se o referendo fosse feito de forma tendenciosa, género "regressar ao regime que tínhamos antes de 1910?”, se fosse uma pergunta assim muito torta como foi a que se fez no referendo do aborto, efectivamente o resultado seria mau…

jL - Como é que faria a pergunta se fosse o D. Duarte a redigi-la?

DD – “Prefere ter como chefe de Estado para Portugal um Presidente da República ou um rei?”. Depois as pessoas iam informar-se sobre o que é um e o que é outro.

jL - E qual é a sua definição de cada um deles além da diferença óbvia de um ser escolhido e o outro não?

DD - O rei também é escolhido de algum modo. Só que é escolhido uma vez na vida quando é aclamado rei pelo Parlamento quando este o aceita. Se o rei fosse muito impopular e tivesse praticado actos graves, o próprio Parlamento pode demiti-lo. O que acontece nessas alturas é que há uma linha de sucessão natural mas o sucessor pode ser chumbado. O que não há é uma disputa pelo poder e pela chefia de Estado. Mas o que se passa é que o povo não escolhe muita coisa nas presidenciais. Escolhe uma das duas pessoas apoiadas pelos dois maiores partidos e normalmente ganha aquele que tiver o melhor brasileiro como relações públicas. Com excepção do que já lá está e pode continuar. Esse ganha sempre porque os portugueses não gostam de mudar.

“VIVI NO EXÍLIO ATÉ AOS SETE ANOS”

jL - Que percepção é que acha que os portugueses têm de si? Distância? Uma aura negra em torno da monarquia porque a vêem como um regresso à Idade Média…?

DD - Não posso saber o que vai na cabeça das pessoas, excepto pelas sondagens que vou vendo. O que eu sei é que quando vou a uma cidade ou vila a convite de uma Câmara ou organização local, normalmente há uma grande quantidade de pessoas que vêm, um grande carinho, toda a gente me trata muitíssimo bem. Tenho aceite uma média de 30 a 40 convites por ano de Câmaras Municipais e organizações e sou sempre bem recebido. As sondagens é que apresentam resultados muito curiosos. Dizem, por exemplo, que 70% acha que devia haver um rei a morar num palácio real mas não querem mudar as instituições actuais porque não sabem muito bem o que mudaria.

jL - E o que é que mudaria? Haveria mais união e identidade portuguesa?

DD - O único termo de comparação que se pode ter hoje em dia para como funcionaria, actualmente, uma monarquia em Portugal não é o nosso passado nem o futuro porque nenhum deste existe. O único termo é o presente e este pode ver-se no resto da Europa e no mundo. E todos acham que, nesses países o rei funciona muito melhor, tem muito mais ligação ao país, participa de uma maneira mais construtiva na vida nacional, não entra em conflito com o Governo, é mais económico. Há muitos presidentes da República hoje em dia que não são muito democráticos: América do Sul, Ásia, África… ainda não há muitos anos eram ditaduras, agora são democracias de disfarce. Há alguns presidentes de hoje que deviam ser presos por negociatas e fraudes. Não há nenhum rei na Europa com esses problemas…

jL - Há um compromisso moral maior com o país?

DD - Exactamente. Há uma experiência, há um ensino, desde crianças que somos mais ou menos preparados para assumir essa responsabilidade.

jL - Como é que é essa preparação? Limitou-o enquanto criança nas suas aspirações?

DD - Vivi no exílio até aos sete anos depois vim para uma república, estudei no Colégio Militar, fiz a tropa, fiz serviço militar na Força Aérea. Fiz uma vida normal como qualquer português. A diferença é que, pela minha educação, fui sempre levado a dar prioridade a tudo o que é o interesse nacional e a pôr os meus interesses e gostos pessoais e particulares em segundo lugar. Isto fez com que nunca tenha enveredado numa vida de empresário a ganhar muito dinheiro ou que tenha escolhido uma profissão que me interessasse muito do ponto de vista intelectual.

jL - Mas se pudesse, o que é que gostava de ter feito?

DD - Eu estudei agronomia mas, na verdade, eu teria gostado de arquitectura. Teria gostado de ter estudado na escola de arquitectura da Universidade Católica mas que, por ultimato da Ordem dos Arquitectos na altura, foi despedido o director e normalizaram-na de acordo com o “pensamento único obrigatório” autorizado em Portugal.

jL - Parece que está a falar do “rendimento mínimo garantido” …

DD - Não, estou a falar mesmo do regime soviético ou taliban, em que é obrigatório pensar de determinada maneira (risos).

E SE FOSSE REI?

jL - Se fosse rei de Portugal quais seriam as suas prioridades para o país?

DD - Basicamente a defesa dos valores permanentes da lusofonia. Ou seja, eu considero que, em primeiro lugar a minha responsabilidade é com Portugal. E há valores permanentes como a cultura, os direitos das minorias, a defesa da natureza e do ambiente que são partes intrínsecas da identidade cultural portuguesa. Por outro lado, a independência nacional. Quantos povos há hoje na Europa que têm identidade cultural mas não têm independência, como é o caso dos bascos…

jL - E como é que se conjuga identidade nacional numa União Europeia que já nem é a 15 mas a 25?

DD - Essa é a grande alternativa que se coloca. Ou a Europa se desenvolve com respeito pela identidade e independência dos povos ou, se pretende fazer uma caldeirada em que todos os peixes sabem ao mesmo e conseguem, é a destruição dos povos da Europa e o nascimento de uma utopia que é a noção de Estados Unidos da Europa em que não acredito e que acho que vai ruir com a revolta desses povos. Ou então seguimos o exemplo dos modelos de uniões de sucesso como é o caso da confederação helvética. Que resulta porque se respeita até hoje as diferenças, as culturas, as línguas, as leis – cada cantão da Suiça tem as suas leis. Os cantões suíços têm muito mais diferenças e liberdades do que têm hoje os Estados da União Europeia.

jL - O chumbo do Tratado da Constituição Europeia foi sintoma dessa fragilidade…

DD - E se os povos europeus fossem realmente livres, estou convencido de que todos o chumbavam, só que alguns foram quase obrigados e intimados a votarem a favor. E foi sintoma não da fragilidade da União Europeia mas das utopias federalistas europeias. Um dos grandes criadores da União Europeia foi o meu tio, Otto de Habsburgo, que foi eurodeputado até aos 90 anos - e é um europeísta entusiástico desde o tempo de Adenhauer - e ele disse-me «felizmente que chumbou o Tratado da Constituição Europeia porque isto é uma traição aos verdadeiros ideais da Europa». A Europa tem de ser no máximo uma confederação de Estados europeus independentes cuja solidariedade tem de ser muito defendida como acontece na Suiça mas com total respeito pelos direitos à diferença. É absurdo igualizar tudo na Europa. No Tratado da Constituição Europeia existia um capítulo de excepções em que Malta impôs nunca ser obrigada a aceitar a legalidade do aborto. Portugal – sempre bem comportadinho – não impôs excepção nenhuma. E Portugal, como Malta, é um país católico com governos ateus e leis anti-cristãs. Onde é que está a democracia?

jL - O presidente Reagan chegou a incentivá-lo a candidatar-se a Presidente da República. É um pró-América?

DD - O Presidente Reagan disse-me isso em Washington, num jantar sobre as relações entre os Estados Unidos e Portugal onde estavam outras personalidades, entre elas Zbigniew Brezinsky, ex-Conselheiro dos Negócios Estrangeiros. Reagan disse-me que as informações que tinha eram que eu tinha condições para ganhar as eleições e que para os Estados Unidos, Portugal sempre tinha sido um aliado importante que esteve presente em todos os momentos de crise ao lado do seu país, por oposição a Espanha, que tomava sempre o outro lado. A aliança com Portugal, disse, era fundamental e uma monarquia em Portugal garantiria a independência de Portugal relativamente a Espanha de uma forma que a República não fazia.

jL - Mas é um pró-América?

DD - Penso que ser aliado de um país e criar uma relação de confiança com a potência dominante do Atlântico – que já foi Inglaterra mas que hoje é os Estados Unidos – é fundamental. A não ser que, a determinada altura, os interesses de Portugal e os Estados Unidos fossem opostos e aí prevaleceriam os de Portugal, o que não é o caso. Neste sentido, acho que não podemos sacrificar esta aliança em prol dos interesses de outros países terceiros que não se assumem como aliados dos Estados Unidos.

in Just Leader – Setembro 2006

Tuesday, April 24, 2007

Desculpem a demora, mas eu juro que tenho tentado actualizar o Fidalgo e não tenho tido tempo. Mas vamos ao que interessa, que assuntos nao nos faltam.
Por Portugal passam-se coisas estranhas, nesta República desgastada. Um Primeiro-Ministro que se dizia Engenheiro, mas que se veio a descobrir ser apenas Tecnico de Engenheria e, ao ritmo que as coisas vão, nem isso, se calhar... Veremos! Um Engenheiro que quer controlar os Meios de Comunicação Social, através dos seus assessores... E que, agora, deu o passo seguinte: colocar um dos seus homens a presidir a um grupo que, coincidencia estranha!, tem um canal de televisão.
Autoridade tem limites. Sr. Primeiro Ministro, controle antes a sua Ministra da Cultura, que bem merecia a "reforma" antecipada (antes que se "reforme" [mal] a Cultura)... Há assuntos que o deviam preocupar mais! E ainda me dizem, algumas vozes, que a República funciona? Estou para descobrir onde! Olhem para os exemplos que temos la fora... Republicanos admitam que o vosso plano fracassou e retrocedam... Ainda vamos a tempo!
E lá fora? O que se passa por terras estrangeiras? Façamos um tour por quatro nações, escolhidas presidencialmente... Uma pequena curiosidade!
1.) França - Nicolas Sarkozy e Segolene Royale estão na segunda volta das Presidenciais francesas, as quais tiveram (na primeira volta) uma votação histórica de (quase) 85% dos eleitores inscritos. Esperamos nós que Segolene Royal vença as sondagens e as eleições. Não pelo simples facto de ser a primeira mulher, em toda a História Francesa, a vencer umas eleições; mas porque é a melhor solução. Sarkozy, para os atentos e cautelosos, aproxima o seu discurso do nosso Grande Português. É só escamotear as palavrinhas do senhor... Franceses acordem!
2.) Somália - Mogadísicio continua a ferro e fogo e os Estados Unidos da América, como não poderia deixar de ser, estão a "patrocinar" parte desta atrocidade. Sejamos sinceros os conflitos africanos, na sua maioria, são culpa do colonialismo europeu, que dividiu povos em Estados diferentes. Não seria mais fácil repor as fronteiras dos Estados anteriores à colonização? Até quando a ganancia vai falar mais alto do que a vida humana? Não chega já, meus senhores?
3.) Iraque - Para não falar da barbarie que se tornou, o primeiro Estado a ter Parlamento em todo o mundo (as voltas que a vida dá!); os Estados Unidos da América (sempre os mesmos) pretendem erguer um muro no Iraque ao qual chamam de "barreira de segurança". Senhores, será que Berlim se deslocalizou? Ou estarão os Estados Unidos da América a especializar-se em muros? O muro de Gaz; o plano do muro do México e agora o muro de Bagdad. Nem quero saber o que se segue... Um muro em Washington, para separar o Congresso do Presidente? Só temos que esperar.
4.) Estados Unidos da América - Inevitável! O país que é "a ama" das democracias e que é o "justiceiro" internacional, continua a provar o seu subdesenvolvimento social, ao permitir que seja mais simples comprar uma arma do que uma cerveja. E onde estava a polícia quando o assassino invadiu a universidade? São precisas tantas horas (e tantas mortes) para o deter? Quando vão perceber os Estados Unidos da América, que o faroeste já cabou. Agora só em filmes!
O vosso cavaleiro das palavras,
Fidalgo