Monday, September 05, 2016

Caminho e corro ou uma forma de dizer Parabéns

Ainda não são 18h30 quando chego ao quarto 9, da residência a que agora chamo "casa". Poiso a mochila no chão, tiro os sapatos paquistaneses, o relógio português, a pulseira tunisina e o anel turco. Sento-me na poltrona amarela. Amarela como o sol que hoje insistiu em não brilhar, escondendo-se atrás de uma horda de nuvens paquidérmicas. Mas não chove...

Olho para o relógio. Há poucos meses atrás começaria logo a preparar as aulas do dia seguinte, ou a responder a emails que estivessem pendentes, em qualquer uma das quatro contas de email que uso diariamente. Mas não tiro nada da mochila. E o meu computador, que dormita num gavetão, continua a sua sesta.

Troca a camisa azul, com finas listas brancas, por uma t-shirt verde marinha. Troco a calça de sarja, pela calça de fato de treino. Troco o sapato moccasin pelas sapatilhas. Coloco os auriculares, e enquanto desço as escadas deixo que a música comece. Rihanna toma a liderança na playlist. Abro a porta de vidro negro e saio para a rua.

Caminhar. Correr. Caminhar. Correr. Caminhar. Correr. Ainda não posso dizer que é um hábito, que está perto de um certo. Chamemos-lhe um quase-hábito ou uma meia-rotina. E enquanto corro lembro-me que fazes anos. Lembro-me das nossas caminhadas matinais. De como as pernas nos guiavam, mas eram as palavras e os sorrisos o que mais importava.

De como subíamos a encosta que leva a São Lourenço falando ora de política, ora de desporto, ora de desejo e por vezes, quase sempre por minha culpa, de lascívia. De como gostávamos que o vento, que sempre corre em São Lourenço, nos acompanhasse. De como eu sabia que no final do dia estaria a comer um Magnum de amêndoa, mas isso era o que menos importava.

Caminho e corro. E lembro-me como fizemos quilómetros e quilómetros a pé, enfrentando chuva e vento apenas para contrabandear amizade. Ou de como nos treinavas, para te treinares. Ou de como fizémos coreografias e actuações; de como andámos entre festinhas e competições. Lembro-me de como tudo era simples, tão simples, tão serenamente simples...

Caminho e corro. E lembro-me de como éramos três e agora és apenas tu por aí. Apenas tu podes ir dizer ao vento de São Lourenço, o que eu, e a Ana apenas podemos sussurrar de longe. Éramos três, chegámos a ser quatro, mas um país em metamorfose (não sei se para borboleta, ou se para novo estado larval!) achou por bem que nos separássemos.

Mas não é isso que hoje importa. Lembro-me de ti, enquanto corro e caminho. De como ficarás feliz por saber que tento manter o que te disse; que correria, pelo menos, dia sim, dia não; que tentaria mudar hábitos; que resistiria aos desejos do estômago, Lembro-me de ti e como gostarias de dizer que faltou fazer isto, ou fazer aquilo, ou fazer o outro...

E é isso que me faz sorrir. É essa Diana que quero celebrar hoje. A que se preocupa sempre com os que estão por perto. A que quer ver todos felizes e que, não raras vezes, se esqueça ela de ser feliz. A que prefere duas horas apenas de conversa, a meia-hora de selfies e outras tonteiras. É essa Diana que quero celebrar hoje. E amanhã, quando for correr, celebrar-te-ei outra vez. Parabéns Diana!


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