Sunday, February 09, 2014

Um desafio chamado Kırıkkale, versão 2.0

E por fim cheguei a Kırıkkale. A viagem começou ontem, em Lisboa, batiam as 15h (17h em Kırıkkale) quando o pássaro de metal que me trouxe a Portugal, me devolveu ao meu ninho turco. Mesmo sem precisar de visto para ir a Portugal, o tempo permitido para a minha estadia terminou. Afinal, tenho que voltar ao meu novo poiso "definitivo" sabendo que a tal ideia de "definitivo" não existe. Então volto para onde mesmo?...

Aterrei em Ankara eram 0h10, dia 9 de Fevereiro. Por Portugal eram 22h10 e o dia 8 de Fevereiro ainda reinava. Ao vir para a Turquia adientei-me no calendário, e as saudades também se adiantaram. Adientei-me no calendário, sabendo que me atrasarei em tantas outras coisas. Sorrio. As coisas que me passam pela cabeça quando escrevo no blog. Desculpe-me o leitor por estas pausas, mas são trivialidades necessároas. Com estas pausas posso inspirar sanidade e expirar o resto...

Tinha um rosto amigo no terminal doméstico do aeroporto de Ankara. Esperava por mim! Eu sabia que fizera amigos, mas não contava que se interessassem assim pelo meu bem-estar. A saudade ficou espantada e, no meio do seu espanto, tornou-se mais suportável. Entrei para o carro dele e vi ruas onde já estive, lugares onde já tirei fotos, ruas que já percorri. Como quem repete um sonho noite após noite. A familiaridade reconfortou-me!

Vi outro rosto amigo, minutos depois. Juntou-se a nós (seria de resto em casa deste que eu acabaria por pernoitar) para uma refeição tardia. Os sabores da Turquia voltaram a inundar as minhas papilas gustativas que 24 horas antes tinham degustado portugalidade. E naquele momento eu soube que voltara aos temperos fortes, aos condimentos combinados, ao bailado entre o picante e o refrescante que parece marcar a gastronomia desta região.

E enquanto tomo um chá, hábito que recuperarei velozmente, reparo que os sons em meu redor não me são estranhos, apesar de muito do seu sentido me escapar... Posso ver o esplendor da sua arquitectura, mesmo sem entender os seus elementos, a agregação dos seus elementos, o sentido que provém da agregação dos seus elementos. Mas, em breve, esta língua deixará de me ser estranha! Fica prometido!

Dormi por Ankara antes de partir para Kırıkkale. Vim sozinho, como acontecera três semanas antes, num mini-autocarro apinhado de gentes e malas. Um mini-autocarro apinhado de expectativas, de planos, de sonhos, de rumos. As nuvens negras, que pensava ter deixado por Portugal, apareceram para dar o ar de sua graça e até as gotículas de chuva apareceram em cena. Estará o tempo a querer ludibriar a saudade?

Kırıkkale! Subi duas ruas, arrastando uma mala de 23kg e com 9kg nas costas. Subi duas ruas com o peso dos meus planos e dos meus objectivos a chicotearem-me a alma. Para se ganhar, temos que estar prontos para perder. Já antes lera isto em romances e dramas históricos, mas só agora entendo a magnitude destas palavras. Ganhar será a próxima paragem, já que já perdi muito...

Amanhã começo o segundo semestre. Terei o desafio de desenvolver capacidades em oito turmas; terei o desafio de desafiar mentes e sonhos para novas realidades; terei o desafio de me desafiar, pois só assim as coisas fazem sentido. Amanhã começo a ganhar, agora que já aceitei o que perdi e que sei que quanto mais ganhar mais perderei. Curioso balanço universal... Pois que venha o segundo semestre!


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