Tuesday, December 10, 2013

Ucrânia desculpa, mas não entendo...

Os protestos na Ucrânia entraram na sua terceira semana, para gáudio dos media Ocidentais. Confirma-se aquilo que venho dizendo, que o fim da Guerra Fria deu apenas lugar a uma Guerrilha Fresca, em que a Rússia passou de inimiga-letal a aliada-perigosa. Como quem troca o veneno da Viúva Negra, pelo abraço apertado da Piton...

A Rússia, ou melhor dizendo Moscovo, torna-se assim o centro do Mal, contra o qual o heróico povo ucraniano luta nas ruas de Kiev. Pausa! E aqui entra o Fidalgo. Para começar falar de revolução em toda a Ucrânia é um exagero mediático, que em nada ajuda a compreender o que de facto se passa no país.

Não sendo possível ignorar a convulsão que acontece ao longo da Ucrânia Ocidental, pró-Ocidente com uma agenda Europeísta e que promoveu a Revolução Laranja de 2004; afigura-se estranho que não se mencione a paz que reina na Ucrânia Oriental, pró-Rússia e com uma agenda mais Eslavófila, vencedora das eleições presidenciais de 2010.

A Ucrânia que está nas ruas e que canta pela União Europeia (quiçá por não saber bem o que pede!) é, quanto muito, meia-Ucrânia. E se é verdade que o povo é quem mais ordena; que a democracia se faz ouvindo o cidadão que não pode, não deve, ser menorizado ao simples papel de eleitor e pagador de impostos (algo que se assiste nas terras de Viriato); não é menos verdade que o voto tem que ser um acto de consciência.

O Presidente Yanukovych nunca escondeu a sua agenda de aproximação a Moscovo, que, não convém esquecer, fornece o precioso gás que aquece os lares ucranianos durante o rigoroso Inverno. A Ucrânia de Yanukovych queria aproximar-se de Moscovo porque é importante manter boas relações com os vizinhos poderosos.

A União Europeia foi sempre secundária na agenda do Presidente eleito em 2010 e que esmagou a Revolução Laranja; revolução essa que falhou nos seus intentos... Afinal, para quem tem memória curta, Timoshenko está presa (para além da perseguição política!) por crimes de peculato e nepotismo.

A União Europeia nunca foi prioridade e o cidadão-eleitor sabia isso. E mesmo assim Yanukovych ganhou as eleições. Ganhou e cumpriu a sua agenda de re-aproximação a Moscovo; tendo inclusive conseguido negociar melhores preços de fornecimento do gás e tudo. E o povo vem para a rua gritar "Demissão!" e afins? Desculpem meus caros, mas desta feita não entendo.

O Presidente curmpre a sua agenda, que não tem que ser do agrado de todos, mas que foi escrutinada e aprovada pelo cidadão-eleitor e o povo clama Injustiça? Desculpa lá Ucrânia, ou meia-Ucrânia, mas esta não entendo. O povo, com memória-curta por certa, vem para a rua destruir e esmagar? A ideia é mostrar força de vontade, o resultado é vandalismo gratuito e desnecessário...

A turba de Kiev, onde reina a irracionalidade e o ímpeto para o comportamento espalhafatoso-ó-animalesco, enquanto derruba estáturas, já esqueceu que no começo de 2015 irá de novo a votos? Não tenham medo, que a União Europeia não foge e mesmo que imploda (facto incerto, mas provável!), levará tempo a que isso aconteça.


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