Friday, July 12, 2013

Ando em busca de explicações!

A realidade política em Portugal tem-se transformado a uma velocidade extraordinária. Tristemente, a maioria das mutações têm sido piores... Primeiro saiu o Ministro das Finanças, a quem sucedeu a Secretária do Tesouro (que antes fora gestora numa empresa pública, a Carris, envolta no caso dos contratos SWAP). Em seguida o Ministro dos Negócios Estrangeiros demitiu-se, num acto que classificou de irrevogável. E ninguém lhe sucedeu.

A demissão do Ministro dos Negócios Estrangeiros abriu uma crise política, ao mesmo tempo que ficámos a saber que o Primeiro-Ministro não aceitava uma demissão. Tínhamos portanto um Ministro Demissionário, acto irrevogável (?), e um governo perto do colapso. Vieram as negociações entre os partidos (mal!) coligados e o Ministro Demissionário é promovido, no acordo alcançado, a Vice-Primeiro-Ministro. Mas o acto não era irrevogável?

Calma! Uma parte do país político e mediático achou que a crise seria serenada pelo Presidente da República, que aceitaria o acordo da coligação. A outra parte clamava por eleições, instrumento da democracia que assusta muita gente que se diz democrática... E o Ministro Demissionário mas Promovido entrou numa fase de silêncio; entrou em blackout para não se justificar! E o partido deu-lhe cobro!

Vozes do Ministro Demissionário mas Promovido tentaram dizer que era irrevogável a demissão como Ministro dos Negócios Estrangeiros, mas que tal não se aplicava à nomeação para um novo cargo. Seria portanto uma demissão, seguida de contratação para um cargo melhor. A lógica era dúbia, nos interstícios da lógica e da moralidade, mas poderia serenar ânimos assim que o Presidente aceitasse o acordo que re-re-coligaria os partidos do Governo.

E de repente, depois de uma prédica sobre os malefícios da democracia expressa pelo voto popular (porque os mercados enervam-se com isto da vontade popular!), o Presidente da República pede consensos alargados; avisa que o Governo irá ser "substituído" após Junho de 2014 e NÃO aceita o acordo que salvaria o Governo, nem que fosse a prazo.

Claro que temos o Governo em (quase) plenitude de funções, mas também temos um Ministro Demissionário, por acto irrevogável, que agora perde a fundamentação do "mas vai para outro cargo", porque afinal o cargo esfumou-se. Portanto temos um governo sob tutela Estrangeira, sem Ministro dos Negócios Estrangeiros? É isso? Ou revogou-se tudo Sr. Ministro?? A Palavra, a ética, os princípios e a moral?

E afinal o que pretende o Presidente da República? Relegitimar o memorando, acorrentando a ele os três partidos do "arco da governação" (expressão parola, que me lembra sempre um concurso de Marchas na Assembleia!)? Fazer colapsar o governo, sem assumir que o desfez por sua vontade? Dividir o "castigo" popular por três partidos e não apenas por dois? Ensaiar um governo de coligação nacional, apesar de ter perdido imenso capital político nos últimos anos?

Ando em busca de explicações, quem as tiver que ajude o Fidalgo...


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