Friday, May 10, 2013

Para uma festa só se vai convidado...

Regra elementar de etiqueta, para uma festa só se vai com convite. É deselegante, no mínimo, aparecer num evento sem convite. Espera-se sempre que quem está neste, ou naquele, evento, esteja por ter sido convidado e nunca por auto-recriação. É também esperado que os convidados saibam o que estão a fazer, que conheçam o evento, para o qual são interpelados a comparecer.

Em política todavia muitas destas regras tendem a ganhar contornos curiosos, quando não estranhos ou bizarros. Olhemos para o caso do "convite" de Pedro Passos Coelho a dialogar com os vários partidos com assento parlamentar, sobre os novos cortes propostos como medida alternativa ao chumbo do Tribunal Constitucional que, apesar de expectável, apanhou muita gente de surpresa.

A ideia de dialogar com os "outros" parece ao Fidalgo um passo interessante que, apesar de pecar por tardio, merece um pequeno aplauso. Mas este dialogar com os "outros" do Governo inclui, curiosamente, também dialogar consigo mesmo. É que o CDS-PP e o PSD também serão ouvidos nesta ronda onde se darão a conhecer ideias e se pedirão projectos, propostas, alternativas...

Ora se o CDS-PP e o PSD são os partidos que sustentam o Governo de Coligação porque precisa o Governo de os ouvir? Ou o Governo passou a ser apenas uma micro-cúpula de gente, desligada dos partidos? O Governo existe apenas enquanto tiver sustentação parlamentar dos dois partidos que agora quer ouvir, pelo que o Governo como que se auto-convida a dialogar consigo mesmo? É meta-diálogo o que irá acontecer?

É como se a dona de uma casa fizesse uma festa, pedisse apoio a toda a família para organizar a festa e depois enviasse convites à família para estar na festa que organizou. Esquizofrénico não? O Fidalgo reconhece a necessidade de se manter uma não-fusão entre partidos de sustentação do Governo e Governo, mas daí até chegarmos a este tipo de acontecimentos...

O Governo demonstra, pela primeira vez, um sentido real de querer ouvir opiniões divergentes. Mas ficam duas perguntas no ar! Bastará ouvir os partidos com assento parlamentar, tendo em conta a magnitude e a amplitude das medidas? E que tal ouvir as demais forças partidárias? E porque não chamar também ao debate os movimentos sociais cristalizados?

O Governo está a dar uma festa e para garantir o seu lugar, para não lhe apontarem o dedo, auto-convidou-se ocupando desnecessariamente lugares que seriam de outros, numa guest list demasiado curta. O Governo deu um passo importante ao querer ouvir os "outros", mas precisa aprender a convidar os verdadeiros outros. Não basta limitar-se ao seu "bairro", há que ir a outras paragens, ouvir outros idiomas, outros modos de pensar... Mas é claro que quem gere a festa, gere os seus convivas...

E nada mais tem o Fidalgo a dizer... Por agora...


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