Tuesday, April 09, 2013

O Governo e o Síndrome da Doméstica

Não é novo, nem sequer é exclusivamente português, o hábito pateta de colocar culpas no alheio. Em política, de resto, o primeiro culpado é sempre "quem nos antecede". Normalmente quem chega ao poder parece vestir o papel da empregada doméstica, que limpa a casa depois da festa de arromba da noite anterior.

Por isso o Governo, coligação pouco coesa de PSD e CDS-PP, gosta muito de lembrar que chegou ao poder após a festança Socialista. Que apenas faz aquilo que faz, como faz, porque não existe outro modo de colocar a casa em ordem. Ora, sabe quem já limpou a sua casa, que existem sempre várias maneiras de dar ordem ao caos. Sabe inclusive, quem já limpou a sua casa, que o próprio caos pode ser uma forma de ordem.

O Governo, transformado em doméstica, quer agora arvorar-se ao papel de vítima! A culpa não é tanto sua, por a fascina não dar os resultados pretendidos, mas porque os seus intentos esbarram na vontade de outras "domésticas" a quem compete ajudar a limpar a casa; ainda para mais quando foi a governanta de Belém a pedir essa ajuda.

O Governo, a doméstica de serviço contratada pelos Senhores (os eleitores, e não os lobbies!), queria todos a acenarem de modo complacente ao modo como organiza a casa; mas quanto mais organiza a casa mais desorganizada esta fica... E qual a solução? Mudar de estratégia? Pensar em novas marcas para encerar o chão e dar lustro aos cristais? Não... A solução é fazer ainda mais do mesmo...

O Governo parece-me aquelas domésticas desorientadas, que sabendo estarem erradas mantêm o seu sistema por um qualquer orgulho bacoco. Parece-me aquelas domésticas que sabem estar no fio da navalha, que podem ser despedidas a qualquer instante, mas que mesmo assim ateimam porque foi nelas que se confiou o cargo e portanto a elas compete decidir tudo!

O Governo passou agora da heroicização dos seus esforços, para a vitimização dos seus fracos resultados, para a extrapolação do seu papel de doméstica... Com a governanta de Belém pouco interessada no cargo, o Governo espraia a sua autoridade e assina decretos que fazem lembrar Tempos em que tudo era decidido por uma única doméstica... A mesma que veio de Santa Comba Dão e que queria limpar os excessos de 1910-1926!

Este Governo, transformado em doméstica desorientada e meio endoidecida, precisa compreender que só falando com as outras domésticas, só trabalhando em equipa e conjugando esforços poderão alcançar-se resultados duradouros. Em vez de se varrer para debaixo do tapete e de se virarem as almofadas para esconder as nódoas, é preciso trabalhar com seriedade para deixar tudo a brilhar. E para deixar tudo impecável só a Unidade (e não o Unanimismo) interessam...

Ou isso ou esta Casa, a nossa Casa, corre o risco de continuar suja por muito tempo...

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